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Tendências periódicas: raio, energia de ionização e eletronegatividade
Três grandezas explicam grande parte da química dos elementos. Veja como elas variam nos períodos e nos grupos, e por quê.
Por que existem tendências
Duas forças disputam a forma do átomo: a atração do núcleo, que cresce com o número de prótons, e a repulsão entre os elétrons, que cresce com a quantidade de elétrons e de camadas ocupadas. O equilíbrio entre elas muda de maneira regular ao longo da tabela, e é dessa regularidade que nascem as chamadas propriedades periódicas.
Dois conceitos ajudam a acompanhar o raciocínio. A carga nuclear efetiva é a atração líquida que um elétron externo sente depois de descontado o efeito de blindagem dos elétrons internos. A distância média entre o elétron externo e o núcleo depende de quantas camadas o átomo possui. Quase tudo o que se segue é consequência desses dois fatores.
Raio atômico
O raio atômico mede, de modo aproximado, o tamanho do átomo. Em um período, ele diminui da esquerda para a direita: a carga nuclear efetiva aumenta e puxa a camada externa para mais perto do núcleo. O lítio é bem maior que o flúor, apesar de ocupar a mesma linha.
Em um grupo, o raio aumenta de cima para baixo, pois cada período acrescenta uma camada inteira. O césio, com seis camadas, é um dos maiores átomos estáveis; o hélio, com uma só, é o menor. Como átomos não têm fronteira nítida, os valores dependem do método de medida e por isso variam um pouco entre as tabelas.
Energia de ionização
A energia de ionização é a energia necessária para remover o elétron mais externo de um átomo isolado, no estado gasoso. Quanto mais firme o elétron é segurado, maior o valor. A tendência é inversa à do raio: cresce da esquerda para a direita nos períodos e diminui de cima para baixo nos grupos.
Isso explica por que metais alcalinos como o sódio e o potássio perdem um elétron com tanta facilidade e se oxidam rapidamente, enquanto gases nobres como o hélio e o neônio, com os maiores valores de cada período, são quimicamente inertes. O hélio tem a maior energia de ionização de todos os elementos.
Os valores sucessivos também contam uma história. Para o sódio, a primeira ionização é baixa, mas a segunda salta de forma abrupta: o segundo elétron sairia de uma camada interna, já completa. Esse salto é a assinatura do número de elétrons de valência e a razão de o sódio formar íons com carga +1, e não +2.
Afinidade eletrônica e eletronegatividade
A afinidade eletrônica descreve a energia envolvida quando um átomo isolado ganha um elétron. Já a eletronegatividade é uma grandeza diferente: mede a tendência de um átomo atrair os elétrons de uma ligação química quando está combinado com outro. Linus Pauling propôs a escala mais usada, na qual o flúor, o mais eletronegativo, vale 3,98.
A eletronegatividade cresce em direção ao canto superior direito da tabela, excluídos os gases nobres, e decresce em direção ao canto inferior esquerdo. A diferença entre as eletronegatividades de dois elementos ajuda a prever o tipo de ligação: diferença grande sugere caráter iônico, como no cloreto de sódio; diferença pequena sugere ligação covalente, como no gás cloro; diferença intermediária leva a ligações covalentes polares, como na água.
Caráter metálico
Do ponto de vista químico, o caráter metálico é a facilidade de perder elétrons e formar cátions. Ele acompanha, em sentido inverso, a energia de ionização e a eletronegatividade: aumenta para baixo nos grupos e para a esquerda nos períodos. Os metais mais reativos estão no canto inferior esquerdo, o francício e o césio; os não metais mais reativos, no canto superior direito, o flúor e o oxigênio.
A faixa diagonal dos semimetais, onde o silício e o germânio se situam, reúne elementos com comportamento intermediário. É essa ambiguidade que os torna úteis em eletrônica, pois sua condutividade pode ser ajustada com a adição controlada de outros elementos.
As exceções que ensinam
As tendências são gerais, não leis rígidas. Entre o berílio e o boro, a energia de ionização cai, porque o elétron do boro ocupa uma subcamada p, ligeiramente mais afastada e mais fácil de remover do que um elétron da subcamada s do berílio. Algo parecido ocorre entre o nitrogênio e o oxigênio, em que a repulsão entre elétrons emparelhados no oxigênio facilita a saída de um deles.
Entre os metais de transição e os elementos pesados, efeitos relativísticos e a contração dos lantanídeos fazem o raio e outras propriedades variarem de forma menos regular. O ouro e o mercúrio, por exemplo, se comportam de maneira peculiar porque seus elétrons internos se movem a velocidades que exigem correções relativísticas. Estudar as exceções é a melhor forma de verificar se a regra foi realmente compreendida.
Como usar essas tendências na prática
Ao comparar dois elementos, pergunte primeiro onde estão na tabela. Se ambos estão no mesmo período, o da direita terá menor raio, maior energia de ionização e maior eletronegatividade. Se estão no mesmo grupo, o de baixo terá maior raio e perderá elétrons com mais facilidade.
A ferramenta de comparação do acervo coloca os dados medidos de dois elementos lado a lado, o que permite conferir cada previsão com números reais e perceber de imediato onde a regra vale e onde há desvios.
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Na prática
Fichas ligadas a este guia
Os elementos citados no texto, com os dados medidos de cada um.
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