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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos

Guia · leitura de 7 minutos

Elementos químicos e a mineração no Brasil

O Brasil figura entre os maiores produtores de vários elementos. Veja quais são, de onde vêm e para que servem.

Geologia que vira economia

A formação geológica do território brasileiro, antiga e estável, abriga depósitos minerais de grande porte. O Escudo Brasileiro reúne rochas com bilhões de anos, e o intemperismo tropical enriqueceu muitos minérios, concentrando metais em perfis de alteração espessos, como as lateritas de bauxita e de níquel.

A mineração responde por uma parcela relevante das exportações do país, e o Brasil figura entre os principais produtores mundiais de nióbio, ferro, manganês, bauxita e grafite natural, e se destaca em ouro, estanho, lítio e terras raras. Os números de produção mudam de ano a ano e devem ser consultados em publicações oficiais atualizadas.

Nióbio: liderança quase isolada

O nióbio é o caso mais conhecido: o Brasil detém a maior parte das reservas mundiais e responde por cerca de 90% da produção, concentrada em Minas Gerais e em Goiás. A principal aplicação é a produção de ligas de ferro-nióbio, adicionadas ao aço em pequenas proporções para aumentar a resistência mecânica e reduzir o peso de estruturas, tubulações e componentes automotivos.

Ligas de nióbio também são usadas em turbinas de aeronaves e em ímãs supercondutores, como os de aparelhos de ressonância magnética. O nome do elemento remete a Níobe, figura da mitologia grega, filha de Tântalo, por causa da semelhança química com o tântalo.

Ferro e manganês: a base do aço

O minério de ferro é a principal commodity mineral brasileira. Os maiores depósitos estão no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, e na Serra dos Carajás, no Pará, onde os teores de ferro estão entre os mais altos do mundo. O minério, formado por óxidos de ferro como a hematita e a magnetita, é reduzido em altos-fornos com carvão, e o ferro-gusa resultante é convertido em aço.

O manganês, também presente em Carajás e em Minas Gerais, é indispensável à siderurgia: age como desoxidante e dessulfurante e confere resistência ao aço. Sem ferro e manganês, a construção civil, a indústria naval e a automobilística, como se conhecem, não existiriam.

Alumínio e bauxita

A bauxita, mistura de minerais de alumínio hidratados, é abundante no Pará, na região de Oriximiná e Paragominas. O alumínio é extraído em duas etapas: a refinaria separa a alumina da bauxita e a eletrólise transforma a alumina em metal, em um processo que consome grande quantidade de eletricidade, razão pela qual a matriz elétrica majoritariamente renovável do país é uma vantagem competitiva.

A reciclagem de latas de alumínio é um exemplo de economia de recursos: reaproveitar o metal exige apenas uma pequena fração da energia necessária para produzi-lo a partir do minério, e o Brasil está entre os países com maiores índices de reciclagem de latas do mundo.

Lítio, grafite e terras raras: os minerais da transição energética

A demanda por baterias recarregáveis e por geração de energia limpa colocou novos elementos no centro da economia. O Brasil possui depósitos de lítio, principalmente em pegmatitos do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, além de grafite natural, usado nos ânodos das baterias de íon-lítio, e de níquel e cobalto.

As terras raras, grupo de dezessete elementos que inclui os lantanídeos, o escândio e o ítrio, têm aplicações em ímãs permanentes de turbinas eólicas e motores elétricos. O Brasil tem reservas expressivas, mas sua produção ainda é pequena em comparação com os potenciais geológicos, e o desafio é desenvolver a cadeia de separação e refino.

Ouro, estanho e outros metais

O ouro é explorado no país desde o período colonial. O ciclo do ouro do século XVIII, em Minas Gerais, moldou a ocupação do interior, e hoje a produção se divide entre grandes mineradoras e a atividade garimpeira. O uso de mercúrio em garimpos é uma fonte grave de contaminação de rios e de populações ribeirinhas, razão de políticas de controle e de acordos internacionais, como a Convenção de Minamata.

O estanho, extraído da cassiterita, tem produção tradicional em Rondônia e no Amazonas. O cobre, na região de Carajás, o níquel, em Goiás e no Pará, e o silício, obtido de quartzo de alta pureza em Minas Gerais e na Bahia, completam um conjunto diversificado.

Mineração e responsabilidade

Extrair minerais traz benefícios econômicos, mas também impactos: alteração da paisagem, uso intensivo de água, geração de rejeitos e riscos às comunidades próximas. Os rompimentos de barragens de rejeitos em Mariana, em 2015, e em Brumadinho, em 2019, marcaram o debate nacional sobre segurança, fiscalização e reparação.

Hoje a discussão envolve o fechamento de minas, a recuperação de áreas degradadas, a reciclagem de metais e o aproveitamento de rejeitos como matéria-prima. Entender de quais elementos o país depende, e como eles são obtidos, é parte da educação científica e cidadã.

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