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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
50 Sn 118,71

Metais representativos · 5º período

Estanho

Ligado ao cobre, o estanho deu origem ao bronze e abriu uma era da metalurgia; hoje solda praticamente toda a eletrônica do mundo e reveste as latas de aço que conservam alimentos.

Diagrama do átomo de Estanho com 5 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 18, 4 elétrons do núcleo para fora.Sn

Principais propriedades

O estanho é um metal branco-prateado, mole, muito maleável e de ponto de fusão baixo, próximo de 232 graus Celsius, o que facilita fundições e soldas. Resiste bem à corrosão pela água e pelo ar, característica que o consagrou como revestimento protetor de outros metais.

Existe em duas formas alotrópicas de comportamento oposto: o estanho branco, metálico e dúctil, estável em temperatura ambiente, e o estanho cinza, um sólido quebradiço de estrutura semelhante à do diamante, que se forma lentamente em temperaturas baixas e desagrega a peça. Nos compostos, os estados de oxidação mais dois e mais quatro convivem, e o elemento tem o maior número de isótopos estáveis de toda a tabela periódica.

Ocorrência na natureza

A abundância do estanho na crosta terrestre é de cerca de duas partes por milhão. O único minério de relevância econômica é a cassiterita, um óxido pesado e resistente que se concentra em depósitos aluvionares e em rochas graníticas alteradas. China, Indonésia e Mianmar lideram a produção mundial, e o Brasil figura entre os principais produtores, com jazidas importantes no Amazonas, na região de Presidente Figueiredo, e em Rondônia, onde uma corrida mineral nos anos 1980 chegou a levar o país ao topo da produção global.

Processo de obtenção

A cassiterita é separada por processos gravimétricos, aproveitando sua densidade elevada, e depois reduzida com carbono em fornos metalúrgicos, resultando em estanho bruto que é refinado por via térmica ou eletrolítica até alta pureza. A reciclagem tem peso considerável na oferta, já que o metal é recuperado de sucata eletrônica, de resíduos de solda e de folhas metálicas.

Aplicações

A soldagem eletrônica é o maior destino do estanho: ligas do metal unem componentes em praticamente todas as placas de circuito fabricadas, hoje em formulações sem chumbo, com prata e cobre. A folha de flandres, aço revestido de uma camada finíssima de estanho, é o material das latas de conserva, que aproveitam a resistência à corrosão e a atoxicidade do revestimento. O elemento forma bronze com o cobre, além de peltre e ligas de mancal e de órgãos de tubos. Compostos de estanho estabilizam plásticos, catalisam a produção de poliuretanos e formam camadas condutoras transparentes em vidros. O processo que produz vidro plano faz o material flutuar sobre um banho de estanho fundido, garantindo superfícies perfeitamente lisas.

Importância biológica

A essencialidade do estanho para o ser humano não está estabelecida, e o metal atravessa o organismo em quantidades muito pequenas, absorvidas de forma limitada, o que ajuda a explicar a segurança das embalagens metálicas. A situação é completamente diferente para os compostos organoestânicos, que são altamente tóxicos: alguns deles, usados em tintas para cascos de embarcações, causaram danos severos à fauna marinha e tiveram o uso proibido por convenção internacional.

Riscos e precauções

O estanho metálico e seus compostos inorgânicos apresentam toxicidade baixa, motivo pelo qual o metal é aceito em contato com alimentos. Os riscos concentram-se em outras frentes: fumos metálicos gerados em fundição e soldagem irritam as vias respiratórias e devem ser captados por exaustão adequada, soldas antigas contendo chumbo trazem os perigos próprios desse elemento, e os compostos organoestânicos são tóxicos para o sistema nervoso e para o ambiente, com uso restrito e regulado. Trabalhos de solda em ambiente doméstico ou profissional pedem ventilação e proteção apropriadas. Consulte a ficha de informações de segurança dos produtos e a orientação de profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

O estanho não tem descobridor: seu uso remonta ao terceiro milênio antes da era comum, quando se percebeu que adicioná-lo ao cobre produzia um metal muito mais duro e fácil de fundir, o bronze, mudança tecnológica de tal alcance que deu nome a uma idade inteira. Como as fontes de cassiterita eram escassas e distantes, o comércio do metal criou algumas das primeiras rotas de longa distância da Antiguidade, ligando o Mediterrâneo às ilhas britânicas e à Ásia Central.

Origem do nome

O nome português vem do latim stagnum, variante de stannum, de onde também sai o símbolo Sn. A origem última do termo latino é incerta e possivelmente pré-romana, o que é coerente com a antiguidade do uso do metal.

Isótopos relevantes

¹²⁰Sn (cerca de 33%), ¹¹⁸Sn, ¹¹⁶Sn e outros; é o elemento com o maior número de isótopos estáveis.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • A transformação do estanho branco em estanho cinza no frio, conhecida como praga do estanho, faz objetos antigos se desfazerem em pó e já foi apontada como causa de danos em tubos de órgãos de igrejas.
  • Uma barra de estanho emite um ruído seco de crepitação quando é dobrada, resultado do deslizamento interno de seus cristais.
  • O estanho tem dez isótopos estáveis, mais que qualquer outro elemento químico.