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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
51 Sb 121,76

Semimetais · 5º período

Antimônio

Semimetal quebradiço de brilho prateado, o antimônio endurece ligas de chumbo, atua como retardante de chama e teve seus compostos usados como cosmético já no Egito antigo.

Diagrama do átomo de Antimônio com 5 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 18, 5 elétrons do núcleo para fora.Sb

Principais propriedades

O antimônio é um semimetal cinza-prateado, duro e ao mesmo tempo tão quebradiço que se pulveriza sob impacto. Conduz calor e eletricidade muito mal para um material de aparência metálica, comportamento típico dos elementos situados na fronteira entre metais e não metais.

Sua característica mais incomum é a expansão ao solidificar, propriedade que compartilha com poucos elementos e que garante o preenchimento perfeito de moldes. Existe também em uma forma amorfa negra e forma compostos com estados de oxidação negativos e positivos, o que lhe dá uma química rica em analogias com o arsênio.

Ocorrência na natureza

É um elemento pouco abundante, presente na crosta terrestre em torno de duas décimas de parte por milhão. O mineral de maior importância econômica é a estibina, um sulfeto de cor cinza-escura e brilho intenso; o antimônio também aparece associado a minérios de chumbo, cobre e prata. A produção mundial é fortemente concentrada em poucos países, com predomínio histórico da China.

Processo de obtenção

O beneficiamento parte da concentração da estibina, convertida em óxido por ustulação e depois reduzida em fornos industriais para gerar o metal bruto, posteriormente refinado. Uma parcela expressiva da oferta mundial vem da reciclagem de baterias chumbo-ácido, nas quais o antimônio está presente nas grades das placas.

Aplicações

O trióxido de antimônio é um dos retardantes de chama mais empregados do mundo, incorporado a plásticos, tecidos técnicos, revestimentos e componentes elétricos, onde age em conjunto com compostos bromados. Ligado ao chumbo, o elemento aumenta a dureza e a resistência mecânica das grades de baterias automotivas e de revestimentos de cabos. Também entra em ligas antifricção para mancais, em vidros e cerâmicas especiais, em pigmentos e em semicondutores como o antimoneto de índio, usado em detectores de infravermelho.

Importância biológica

O antimônio não é um nutriente e não desempenha função conhecida no organismo. Compostos de antimônio pentavalente, no entanto, são medicamentos de referência no tratamento das leishmanioses, doenças de grande relevância para a saúde pública brasileira; seu uso é hospitalar, com prescrição e acompanhamento clínico rigoroso por causa dos efeitos cardíacos e hepáticos.

Riscos e precauções

A toxicidade do antimônio lembra a do arsênio, embora seja em geral menos intensa: a exposição prolongada a poeiras e fumos afeta as vias respiratórias, a pele e o coração, e o trióxido é tratado como suspeito de causar câncer em exposições ocupacionais. A estibina, um gás formado em certos processos industriais, é altamente tóxica. Toda atividade que envolva o elemento ocorre em ambiente controlado, sob a ficha de informações de segurança do produto e a supervisão de profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

Compostos de antimônio acompanham a humanidade há milênios: o sulfeto moído era aplicado ao redor dos olhos no Egito antigo, e ligas com o metal aparecem em objetos mesopotâmicos. Tratados metalúrgicos do Renascimento já descreviam a substância e suas propriedades, mas apenas no século XVIII, com a consolidação do conceito moderno de elemento químico, o antimônio passou a ser reconhecido como uma substância elementar distinta.

Origem do nome

O símbolo Sb vem de stibium, nome latino do sulfeto usado como cosmético, derivado do grego stibi. A palavra antimônio chegou às línguas modernas pelo latim medieval antimonium, termo de origem provavelmente árabe cuja etimologia exata permanece incerta.

Isótopos relevantes

¹²¹Sb (cerca de 57%) e ¹²³Sb (cerca de 43%).

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • O símbolo químico Sb não guarda relação com a grafia do nome em português porque deriva do latim stibium.
  • Por expandir ao solidificar, o antimônio era ingrediente essencial das ligas usadas na fundição de tipos móveis de imprensa.
  • O kohl, cosmético do Egito antigo, era preparado a partir de sulfeto de antimônio moído.