Semimetais · 4º período
Arsênio
Conhecido por séculos como veneno e hoje monitorado em águas subterrâneas de várias regiões do mundo, o arsênio também é matéria-prima de semicondutores e de um medicamento oncológico.
- Semimetais
- Grupo 15
- 4º período
- Bloco p
- Sólido
- Natural
Principais propriedades
O arsênio é um semimetal que ocorre em mais de uma forma alotrópica, sendo a cinza metálica a mais estável e a mais comum. À pressão atmosférica, o sólido não passa pelo estado líquido: sublima diretamente, transformando-se em vapor por volta de 615 graus Celsius, e a fusão só é observada sob pressão elevada.
Sua química lembra a do fósforo, com estados de oxidação negativo e positivos, mas o caráter metálico é mais pronunciado. Os compostos mais relevantes na natureza e na indústria são os arsenitos e arseniatos, além dos sulfetos de cores vivas que serviram de pigmento na Antiguidade.
Ocorrência na natureza
Com abundância na crosta terrestre em torno de duas partes por milhão, o arsênio aparece em mais de duzentos minerais, com destaque para a arsenopirita e para os sulfetos realgar e ouro-pigmento. A ocorrência de maior consequência prática não é mineral, mas hidrogeológica: em determinadas bacias sedimentares, o elemento se dissolve nas águas subterrâneas em concentrações perigosas, situação que afeta milhões de pessoas em regiões do sul da Ásia e da América Latina.
Processo de obtenção
O arsênio não é minerado por si mesmo. Ele é recuperado como subproduto do processamento de minérios de cobre, chumbo e ouro, nos quais aparece associado aos sulfetos, e a maior parte da produção sai na forma de trióxido de arsênio, coletado nos sistemas de tratamento de gases das fundições. A obtenção do elemento metálico, feita em instalações licenciadas, é reduzida e destinada sobretudo a ligas e semicondutores.
Aplicações
O arseneto de gálio e outros compostos análogos são a base de circuitos de alta frequência, células solares de alto rendimento e diodos emissores de luz. Pequenas quantidades do elemento endurecem ligas de chumbo usadas em grades de baterias automotivas e em munição. Preservantes de madeira e agrotóxicos à base de arsênio, antes muito difundidos, foram restringidos ou proibidos em grande parte do mundo. Na medicina, o trióxido de arsênio integra protocolos de tratamento de um tipo específico de leucemia, sob controle hospitalar rigoroso.
Importância biológica
O arsênio não é um nutriente essencial para o ser humano e atua como veneno metabólico, interferindo em processos que dependem de fósforo e de enzimas com grupos sulfurados. Organismos marinhos acumulam formas orgânicas do elemento, como a arsenobetaína, muito menos tóxicas que as inorgânicas, razão pela qual peixes e crustáceos podem apresentar arsênio total elevado sem risco equivalente.
Riscos e precauções
O arsênio e seus compostos inorgânicos são altamente tóxicos e classificados como cancerígenos para humanos, com relação estabelecida com tumores de pele, pulmão e bexiga. A exposição crônica pela água de consumo provoca lesões cutâneas, alterações neurológicas e doença vascular, e por isso organismos de saúde estabelecem limites baixos para a concentração em água potável. A gaseificação acidental de compostos de arsênio gera arsina, gás extremamente perigoso. Qualquer suspeita de exposição exige atendimento médico imediato, e todo uso profissional depende da ficha de informações de segurança e da supervisão de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Sulfetos de arsênio eram usados como pigmento e como veneno muito antes de o elemento ser reconhecido, e a obtenção da substância isolada é tradicionalmente atribuída a Alberto Magno, em meados do século XIII. O arsênio ficou associado a crimes de envenenamento durante toda a Idade Moderna, até que em 1836 James Marsh desenvolveu um ensaio capaz de detectá-lo em quantidades mínimas, marco na criação da toxicologia forense.
Origem do nome
Chega ao português pelo latim arsenicum, tomado do grego arsenikon, que designava o ouro-pigmento. A raiz mais antiga costuma ser rastreada até termos persas e siríacos ligados à cor dourada do mineral.
Isótopos relevantes
⁷⁵As é o único isótopo estável e responde por todo o arsênio natural.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- O composto conhecido como verde de Scheele, um pigmento de arsênio, foi usado em papéis de parede e tecidos no século XIX antes de sua toxicidade ser compreendida.
- Um dos primeiros medicamentos sintéticos da história, desenvolvido por Paul Ehrlich no início do século XX contra a sífilis, era um composto de arsênio.
- O ensaio de Marsh, criado em 1836, permitiu que envenenamentos por arsênio deixassem de ser praticamente indetectáveis.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Arsênio na tabela periódica.