Metais de transição · 6º período
Ouro
Símbolo de valor desde a pré-história, o ouro é o metal mais maleável que se conhece, não escurece com o tempo e circula entre reservas monetárias, joalheria e contatos elétricos de precisão.
- Metais de transição
- Grupo 11
- 6º período
- Bloco d
- Sólido
- Natural
Principais propriedades
O ouro é o mais maleável e o mais dúctil de todos os metais: um único grama pode ser transformado em uma folha de cerca de um metro quadrado, tão fina que transmite luz esverdeada, ou estirado em um fio de centenas de metros. É denso, mole o suficiente para ser marcado com facilidade e excelente condutor de calor e eletricidade.
Sua cor amarela é uma raridade entre os metais e resulta de efeitos relativísticos sobre os elétrons mais internos, que deslocam a absorção de luz para a faixa do azul. Quimicamente, é um dos elementos menos reativos: não se oxida ao ar nem em água, resistindo à maioria dos ácidos, e só é dissolvido por misturas como a água-régia ou por soluções de cianeto em presença de oxigênio.
Ocorrência na natureza
Ocorre predominantemente como metal nativo, em veios de quartzo associados a rochas antigas e em depósitos aluvionares formados pela erosão desses veios, onde as partículas se concentram por gravidade. A abundância na crosta é de poucos microgramas por quilograma de rocha, e há ouro dissolvido na água do mar em concentração tão baixa que sua extração nunca se mostrou viável. O Brasil é um produtor relevante, com destaque para o Quadrilátero Ferrífero e a região de Paracatu, em Minas Gerais, para a província mineral de Carajás, no Pará, e para depósitos na Bahia, em Goiás e no Mato Grosso.
Processo de obtenção
A mineração industrial parte da britagem e moagem do minério, seguida da concentração gravimétrica e da lixiviação com soluções de cianeto, das quais o metal é recuperado por adsorção em carvão ativado e depois eletrodepositado e refundido. Parte significativa do ouro mundial vem como subproduto do refino de cobre e de outros metais básicos, e a reciclagem de joias e de sucata eletrônica é uma fonte constante. Na mineração artesanal, ainda é comum o uso de mercúrio para amalgamar o ouro, prática associada a grave contaminação de rios e populações e alvo de restrições legais e de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
Aplicações
A joalheria consome a maior parte da produção, seguida pelas reservas de bancos centrais e por produtos de investimento, que fazem do metal um ativo financeiro global. Na eletrônica, o ouro reveste contatos, conectores e fios de ligação de microchips, porque conduz bem e não forma camada isolante de óxido, garantindo confiabilidade em equipamentos médicos, aeroespaciais e de telecomunicações. Também é usado em restaurações e próteses dentárias, em películas refletoras que protegem satélites e viseiras de astronautas da radiação solar, em vidros de controle térmico de edifícios e, na forma de nanopartículas, em testes rápidos de diagnóstico, cuja linha colorida vem justamente da interação da luz com o ouro coloidal.
Importância biológica
O ouro não desempenha nenhuma função conhecida nos organismos vivos e é praticamente inerte em contato com os tecidos, o que explica seu uso odontológico e a raridade de reações alérgicas. Compostos de ouro tiveram papel na medicina do século XX no tratamento da artrite reumatoide, aplicação hoje bastante reduzida diante de alternativas mais seguras e eficazes. Folhas comestíveis do metal usadas em confeitaria atravessam o organismo sem serem absorvidas.
Riscos e precauções
O metal puro é seguro no contato com a pele e no uso cotidiano. Os riscos associados ao ouro estão quase todos na cadeia produtiva: soluções de cianeto empregadas na extração industrial são altamente tóxicas e exigem instalações licenciadas, monitoramento ambiental e barragens de contenção, enquanto o mercúrio usado na garimpagem contamina água, peixes e comunidades ribeirinhas, com efeitos neurológicos duradouros, sobretudo em crianças. Alguns sais de ouro podem causar dermatites e reações sistêmicas. Em qualquer atividade profissional, consulte a ficha de informações de segurança do produto e profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
O ouro foi um dos primeiros metais trabalhados pela humanidade, justamente porque aparece na natureza já em forma metálica e pode ser moldado a frio. Objetos elaborados encontrados em sepulturas no litoral do Mar Negro têm cerca de seis mil e quinhentos anos, e o metal esteve no centro da economia egípcia, mesopotâmica, romana e pré-colombiana. A busca por transmutá-lo moveu a alquimia por mais de mil anos e, indiretamente, criou muitas técnicas da química moderna. No Brasil, a descoberta de jazidas em Minas Gerais no fim do século XVII alterou a geografia e a demografia da colônia, e uma nova corrida ocorreu no século XX na Amazônia.
Origem do nome
A palavra portuguesa vem do latim aurum, ligado a uma raiz que significa brilhante ou aurora. O símbolo Au preserva o termo latino, e o nome em outras línguas germânicas remete a uma raiz indo-europeia associada ao brilho amarelo.
Isótopos relevantes
¹⁹⁷Au é o único isótopo estável e responde por todo o ouro natural.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- Todo o ouro já extraído na história caberia em um cubo de algumas dezenas de metros de lado.
- Folhas de ouro batido chegam a espessuras de poucas centenas de átomos e se tornam translúcidas.
- Modelos astrofísicos indicam que grande parte do ouro do universo se formou em colisões entre estrelas de nêutrons.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Ouro na tabela periódica.