Metais de transição · 6º período
Mercúrio
Único metal líquido em temperatura ambiente, o mercúrio marcou a história dos termômetros e hoje é objeto de um tratado internacional que restringe sua presença em produtos e no ambiente.
- Metais de transição
- Grupo 12
- 6º período
- Bloco d
- Líquido
- Natural
Principais propriedades
O mercúrio é o único metal líquido em condições ambientes, com fusão a cerca de 39 graus Celsius abaixo de zero. Tem densidade elevada, mais de treze vezes a da água, e tensão superficial tão alta que o líquido se recolhe em gotas esféricas que não molham o vidro. É bom condutor de eletricidade, mas conduz calor mal para um metal, e possui expansão volumétrica bastante uniforme, o que o consagrou em instrumentos de medida.
Dissolve muitos metais formando ligas chamadas amálgamas, e sua pressão de vapor, ainda que baixa, é suficiente para saturar lentamente o ar de um ambiente fechado com vapor invisível e inodoro. Forma compostos nos estados de oxidação mais um e mais dois, e a existência de compostos organomercuriais estáveis, como o metilmercúrio, tem consequências ambientais de grande alcance.
Ocorrência na natureza
Aparece raramente como metal nativo, em pequenas gotas dentro de rochas, e sua fonte principal é o cinábrio, um sulfeto de mercúrio de cor vermelha intensa. A abundância na crosta terrestre é de cerca de oito centésimos de miligrama por quilograma. Os depósitos estão associados a antigas zonas de atividade vulcânica e hidrotermal, com jazidas históricas na Espanha, na Eslovênia, na Itália e na China. Emissões naturais de vulcões somam-se hoje à circulação global de mercúrio de origem industrial.
Processo de obtenção
A rota clássica consiste em aquecer o cinábrio em presença de ar, o que libera o metal na forma de vapor, recolhido por condensação, com o enxofre saindo como dióxido. O processo é conceitualmente simples e conhecido desde a Antiguidade, mas a produção primária vem diminuindo de modo acentuado: por compromisso internacional, novas minas dedicadas ao mercúrio deixaram de ser abertas, e a oferta hoje provém sobretudo da recuperação em processos industriais, do desmonte de instalações antigas e do tratamento de resíduos, com estoques excedentes destinados a armazenamento definitivo.
Aplicações
O uso do mercúrio recuou drasticamente nas últimas décadas. Termômetros clínicos, barômetros, esfigmomanômetros, interruptores elétricos, pilhas e amálgamas dentárias, todos comuns no século XX, foram substituídos ou proibidos em grande parte do mundo, inclusive no Brasil, onde termômetros e aparelhos de pressão com mercúrio deixaram de ser comercializados para uso em saúde. Permanecem aplicações em lâmpadas fluorescentes e de vapor de mercúrio, em lâmpadas de descarga para esterilização por ultravioleta, em alguns processos industriais e em instrumentos científicos, sempre com quantidades reduzidas e com exigência de descarte controlado.
Importância biológica
O mercúrio não tem função biológica em nenhum organismo e é tóxico em todas as suas formas. Sua ação decorre da forte afinidade por grupos que contêm enxofre em proteínas e enzimas, o que desorganiza processos celulares. O vapor metálico inalado atinge o sistema nervoso central e os rins, provocando tremores, alterações de memória, irritabilidade e distúrbios do sono. A forma mais preocupante para a população é o metilmercúrio, produzido por bactérias em ambientes aquáticos a partir do mercúrio liberado por atividades humanas: ele se acumula ao longo da cadeia alimentar e alcança concentrações elevadas em peixes predadores, atravessa a placenta e afeta o desenvolvimento do sistema nervoso de fetos e crianças. Órgãos de saúde orientam gestantes e crianças a moderar o consumo de espécies de topo de cadeia em regiões com contaminação conhecida.
Riscos e precauções
O mercúrio é um dos contaminantes de maior preocupação em saúde pública. O metal líquido em ambiente fechado libera vapor tóxico de forma contínua e imperceptível, e por isso derramamentos, mesmo pequenos, e o rompimento de lâmpadas exigem ventilação do local e destinação adequada dos resíduos, conforme orientação dos órgãos ambientais e sanitários; equipamentos e lâmpadas com mercúrio devem ir para pontos de coleta específicos, nunca para o lixo comum. Compostos organomercuriais são ainda mais perigosos e restritos a laboratórios especializados. Em caso de exposição suspeita, procure um serviço de saúde e consulte a ficha de informações de segurança do produto e profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
O mercúrio é conhecido há mais de três mil anos: foi encontrado em tumbas egípcias, descrito em textos chineses e indianos e usado por gregos e romanos na extração de ouro e na obtenção do pigmento vermelho a partir do cinábrio. Alquimistas o consideravam um princípio fundamental da matéria, associado ao planeta Mercúrio, e sua fluidez alimentou séculos de especulação sobre a transmutação dos metais. A compreensão de sua toxicidade foi lenta: doenças ocupacionais entre mineiros, douradores e chapeleiros eram descritas muito antes de a exposição ao vapor ser regulada, e no século XX episódios de contaminação de rios e baías levaram à criação de normas rigorosas e, em 2013, à adoção de uma convenção internacional dedicada ao elemento.
Origem do nome
O nome faz referência ao planeta Mercúrio e, por extensão, ao mensageiro dos deuses romanos, em alusão à mobilidade do metal líquido. O símbolo Hg vem de hydrargyrum, do grego para prata líquida, e a designação popular azougue, usada em português, chegou ao idioma pelo árabe.
Isótopos relevantes
²⁰²Hg (cerca de 30%), ²⁰⁰Hg, ¹⁹⁹Hg, ²⁰¹Hg e ¹⁹⁸Hg em proporções menores.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- É o único metal líquido em condições ambientes e o elemento com o menor ponto de fusão entre os metais.
- O tratado internacional que rege o mercúrio recebeu o nome de Convenção de Minamata, em referência à cidade japonesa onde a contaminação por metilmercúrio se tornou um marco da saúde ambiental; o Brasil é parte do acordo.
- O símbolo Hg não guarda relação com o nome em português, e vem do termo grego para prata líquida.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Mercúrio na tabela periódica.