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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
78 Pt 195,08

Metais de transição · 6º período

Platina

Metal branco, inerte e catalisador por excelência, a platina limpa gases de escapamento, sustenta o refino de petróleo e é matéria-prima de joias e de medicamentos usados contra o câncer.

Diagrama do átomo de Platina com 6 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 17, 1 elétrons do núcleo para fora.Pt

Principais propriedades

A platina é um metal branco-acinzentado, denso, maleável e dúctil, que não escurece nem oxida ao ar mesmo em temperaturas elevadas. Resiste à maioria dos ácidos, sendo atacada apenas por água-régia e por alguns fundidos, e mantém dimensões e propriedades elétricas estáveis por longos períodos, o que a tornou material de referência em metrologia.

Sua característica mais explorada é a atividade catalítica: a superfície do metal adsorve moléculas como hidrogênio e oxigênio e facilita a quebra de suas ligações, acelerando reações que de outro modo exigiriam condições extremas. Funde perto de 1768 graus Celsius e forma compostos principalmente nos estados de oxidação mais dois e mais quatro.

Ocorrência na natureza

Aparece na natureza como metal nativo, em ligas com os demais metais do grupo da platina e em minerais como a sperrilita. A abundância na crosta é de poucos microgramas por quilograma de rocha. Os grandes depósitos estão associados a intrusões magmáticas antigas, com destaque absoluto para o complexo do Bushveld, na África do Sul, seguido pelas jazidas de níquel de Norilsk, na Rússia, e de Sudbury, no Canadá.

Processo de obtenção

O minério é concentrado por flotação, fundido e convertido em uma matte rica em níquel, cobre e metais nobres. A fração de metais preciosos é dissolvida e separada por uma sequência de precipitações e extrações que isolam platina, paládio, ródio, rutênio, irídio e ósmio uns dos outros. O sal de platina purificado é calcinado e transformado em esponja metálica, refundida conforme o uso. A recuperação de catalisadores automotivos e industriais usados fornece parcela expressiva da platina que chega ao mercado.

Aplicações

O maior consumo está nos conversores catalíticos de veículos, nos quais a platina transforma monóxido de carbono, hidrocarbonetos não queimados e óxidos de nitrogênio em gases menos nocivos. Na indústria, catalisadores de platina participam do refino de petróleo, da produção de ácido nítrico, de silicones e de combustíveis, e formam os eletrodos de células a combustível e de eletrolisadores. A joalheria absorve outra fatia relevante, valorizando a cor branca permanente do metal. Ainda há uso em termômetros de resistência, cadinhos e eletrodos de laboratório, componentes de discos rígidos, eletrodos de marca-passos e, na oncologia, em medicamentos como a cisplatina e a carboplatina, que contêm platina em sua estrutura.

Importância biológica

A platina não tem função biológica e o metal maciço é praticamente inerte em contato com o corpo, característica que permite seu uso em eletrodos implantáveis. Alguns de seus complexos, no entanto, interagem fortemente com o material genético das células: os medicamentos derivados de platina ligam-se ao DNA e impedem a multiplicação celular, o que fez deles parte central do tratamento de diversos tipos de tumor. São fármacos de administração hospitalar, com efeitos adversos importantes, prescritos e monitorados por equipe médica.

Riscos e precauções

O metal em si é considerado seguro no uso comum, inclusive em joias e implantes. A preocupação recai sobre alguns sais solúveis, sobretudo os cloroplatinatos, que são potentes sensibilizantes respiratórios e cutâneos e podem provocar asma ocupacional e dermatites em refinarias e laboratórios, ambientes onde a exposição é monitorada. Medicamentos que contêm platina exigem manipulação por profissionais de saúde treinados. Consulte sempre a ficha de informações de segurança do produto e profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

Povos pré-colombianos da região dos atuais Equador e Colômbia já produziam objetos com ligas de platina e ouro séculos antes da chegada dos europeus, recorrendo a técnicas de sinterização que dispensavam a fusão do metal. Os colonizadores espanhóis a encontraram como um estorvo nas areias auríferas do rio Pinto e a chamaram de platina, prata pequena. A primeira descrição científica cabe a Antonio de Ulloa, que examinou o material durante a expedição geodésica ao vice-reino do Peru e publicou seu relato em 1748, com observações feitas a partir de 1735.

Origem do nome

Do espanhol platina, diminutivo de plata, prata: os primeiros europeus a encontrá-la a viram como uma prata de qualidade inferior que atrapalhava a exploração do ouro.

Isótopos relevantes

¹⁹⁵Pt (cerca de 34%), ¹⁹⁴Pt, ¹⁹⁶Pt, ¹⁹⁸Pt e ¹⁹²Pt em proporções menores.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • Ourives pré-colombianos trabalhavam a platina sem conseguir fundi-la, misturando o pó do metal com ouro em temperaturas mais baixas.
  • Termômetros de resistência de platina são o instrumento padrão para reproduzir a escala internacional de temperatura em boa parte de sua faixa.
  • Como não escurece nem se deforma, a platina foi escolhida para materializar por quase um século e meio a definição internacional do metro e do quilograma.