Metais de transição · 4º período
Zinco
Sacrifica-se para proteger o aço da ferrugem na galvanização e ainda assim é essencial ao sistema imunológico: o zinco combina papel industrial de massa com função biológica em centenas de enzimas.
- Metais de transição
- Grupo 12
- 4º período
- Bloco d
- Sólido
- Natural
Principais propriedades
O zinco é um metal branco-azulado, quebradiço em temperatura ambiente e maleável quando levemente aquecido. Funde a uma temperatura baixa para um metal, o que facilita a fundição de peças e o recobrimento por imersão.
É mais reativo que o ferro na escala eletroquímica, propriedade que fundamenta a proteção catódica: em uma peça revestida, o zinco corrói primeiro e preserva o aço mesmo nos pontos em que a camada foi arranhada. Ao ar, forma uma película de carbonato que retarda sua própria deterioração, e apresenta apenas o estado de oxidação +2.
Ocorrência na natureza
O principal minério é a esfalerita, um sulfeto frequentemente associado a minérios de chumbo. Depósitos de zinco oxidado, como os de willemita, também têm importância econômica; no Brasil, as operações concentram-se em Minas Gerais, com destaque para Vazante e Morro Agudo.
Processo de obtenção
O concentrado é ustulado para converter o sulfeto em óxido e depois processado por duas rotas: a redução com carbono em fornos ou, majoritariamente, a dissolução seguida de eletrólise, que fornece metal de alta pureza. O enxofre liberado na primeira etapa é aproveitado na produção de ácido sulfúrico.
Aplicações
Cerca de metade do zinco consumido protege o aço contra corrosão por meio da galvanização, presente em telhas, torres de transmissão, defensas de rodovia, parafusos e estruturas metálicas. O restante alimenta ligas como o latão, peças fundidas sob pressão para a indústria automotiva, pilhas comuns e a produção de óxido de zinco, encontrado em pneus, cerâmicas, cosméticos, protetores solares e pomadas contra assaduras.
Importância biológica
Centenas de enzimas humanas dependem de zinco, e o elemento participa da estrutura de proteínas que regulam a leitura do material genético. É indispensável ao sistema imunológico, à cicatrização, ao paladar, ao olfato e ao crescimento. A deficiência é um problema de saúde pública em populações com dieta pobre em proteína animal e está associada a maior gravidade de diarreias infantis, o que levou organismos internacionais de saúde a recomendar suplementação nesses casos. Carnes, frutos do mar, sementes e leguminosas são boas fontes.
Riscos e precauções
O zinco metálico e o óxido presentes em produtos de consumo apresentam baixo risco, mas a inalação de fumos gerados na soldagem e na fundição provoca a chamada febre dos fumos metálicos, quadro passageiro com febre e mal-estar que sinaliza exposição inadequada. A suplementação excessiva e prolongada prejudica a absorção de cobre e o funcionamento do sistema imunológico. Compostos de zinco em efluentes são tóxicos para a vida aquática. Consulte a ficha de informações de segurança e profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Ligas de zinco e cobre eram produzidas na Antiguidade sem que se soubesse da existência do metal, já que o zinco evapora com facilidade nas temperaturas dos fornos primitivos. A produção controlada foi dominada na Índia e na China séculos antes de chegar à Europa. Na tradição europeia, o isolamento do metal em forma pura é atribuído a Andreas Sigismund Marggraf, em 1746, cujo trabalho descreveu o processo de modo rigoroso e detalhado.
Origem do nome
A origem mais aceita remete ao alemão Zinke, ponta ou dente, em referência ao aspecto dos cristais formados nos fornos. O termo teria sido popularizado pelo médico e alquimista Paracelso, no século XVI.
Isótopos relevantes
⁶⁴Zn (cerca de 49%), ⁶⁶Zn (cerca de 28%) e outros isótopos em proporções menores.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- Objetos de latão anteriores em séculos ao reconhecimento do zinco mostram que a liga foi obtida sem que o metal fosse conhecido.
- Uma peça galvanizada continua protegida mesmo quando a camada de zinco é riscada.
- O corpo humano não mantém reservas significativas de zinco, o que torna importante o consumo regular.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Zinco na tabela periódica.