Metais de transição · 4º período
Cobre
Primeiro metal amplamente trabalhado pela humanidade, o cobre atravessou milênios sem perder importância: hoje conduz a eletricidade que move casas, indústrias e a transição energética.
- Metais de transição
- Grupo 11
- 4º período
- Bloco d
- Sólido
- Natural
Principais propriedades
O cobre é um dos poucos metais de cor própria, um tom avermelhado inconfundível, e reúne alta ductilidade com a segunda melhor condutividade elétrica e térmica entre todos os metais, atrás apenas da prata. Essa combinação, somada ao custo bem menor, o tornou insubstituível em instalações elétricas.
Exposto ao tempo, cobre-se de uma camada esverdeada de compostos que protege o metal e é conhecida como pátina, responsável pela cor de telhados e monumentos antigos. Nos compostos alterna entre os estados +1 e +2, e suas soluções costumam apresentar tons de azul e verde.
Ocorrência na natureza
Pode ser encontrado nativo, em pepitas de metal puro, o que explica seu uso tão antigo, mas a produção atual vem de sulfetos como a calcopirita e de minérios oxidados. A concentração do elemento na crosta terrestre é modesta, e as maiores minas do mundo estão na cordilheira dos Andes. O Brasil produz cobre sobretudo em Carajás, no Pará, e na região de Jaguarari, na Bahia.
Processo de obtenção
Minérios sulfetados são concentrados por flotação e depois fundidos, gerando um cobre bruto que é refinado por via eletrolítica até a pureza muito elevada exigida pela indústria elétrica. Minérios oxidados seguem rota diferente, com dissolução em meio ácido e recuperação eletroquímica. A reciclagem tem peso grande na oferta, já que o metal não perde qualidade ao ser reprocessado.
Aplicações
Fios, cabos, motores, transformadores e placas de circuito consomem a maior parte do cobre, e a eletrificação do transporte e a expansão de fontes renováveis ampliaram fortemente essa demanda. O metal também está em tubulações hidráulicas, trocadores de calor e coberturas arquitetônicas. Suas ligas são clássicas: o bronze, com estanho, e o latão, com zinco, atendem a componentes mecânicos, instrumentos musicais e acabamentos. Compostos de cobre atuam como fungicidas agrícolas, presentes na calda bordalesa usada em vinhedos.
Importância biológica
O cobre é um oligoelemento essencial, presente em enzimas ligadas à respiração celular, à formação de tecido conjuntivo, à absorção de ferro e à defesa contra radicais livres. Em moluscos, crustáceos e aracnídeos, cumpre no sangue o papel que o ferro exerce nos vertebrados, o que dá a esses animais sangue de coloração azulada. Superfícies de cobre têm ação antimicrobiana comprovada, propriedade que motivou seu uso em maçanetas e corrimãos hospitalares. Fígado, castanhas, sementes e cacau estão entre as fontes alimentares.
Riscos e precauções
O cobre é seguro nas quantidades presentes em alimentos e em tubulações de água potável, mas o excesso causa distúrbios digestivos, e doenças hereditárias como a de Wilson provocam acúmulo tóxico no fígado e no cérebro. Compostos de cobre são altamente prejudiciais a organismos aquáticos, o que restringe seu descarte. A exposição ocupacional a fumos em soldagem e fundição exige ventilação e proteção respiratória. Em uso profissional ou agrícola, siga a ficha de informações de segurança e a orientação de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Objetos de cobre datam de mais de nove mil anos e marcam a primeira metalurgia humana. A descoberta de que a adição de estanho produzia um metal bem mais duro deu origem ao bronze e nomeou uma era inteira. O elemento não tem descobridor: é conhecido de forma contínua desde a pré-história, e a ilha de Chipre, grande fornecedora na Antiguidade, deixou marca no nome que ele carrega até hoje.
Origem do nome
Do latim cuprum, forma abreviada de aes cyprium, o metal de Chipre, ilha do Mediterrâneo que abastecia o mundo romano. O símbolo Cu preserva a forma latina.
Isótopos relevantes
⁶³Cu (cerca de 69,2%) e ⁶⁵Cu (cerca de 30,8%).
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- A Estátua da Liberdade é revestida de chapas de cobre, e sua cor verde é a pátina formada ao longo de décadas.
- O cobre pode ser reciclado indefinidamente sem perder propriedades, e boa parte do metal em uso já passou por reprocessamento.
- Um automóvel elétrico contém bem mais cobre que um veículo equivalente com motor a combustão.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Cobre na tabela periódica.