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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
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Metais de transição · 5º período

Prata

Melhor condutora de eletricidade e de calor entre todos os metais, a prata acompanha a humanidade há milênios como moeda e ornamento e hoje é insumo estratégico de painéis fotovoltaicos.

Diagrama do átomo de Prata com 5 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 18, 1 elétrons do núcleo para fora.Ag

Principais propriedades

A prata é um metal branco de brilho característico, muito dúctil e maleável, superada apenas pelo ouro nessas qualidades. Detém três recordes simultâneos: é o melhor condutor elétrico, o melhor condutor térmico e o metal de maior refletividade na faixa visível, combinação que nenhum outro elemento reúne.

Não é oxidada pelo oxigênio do ar em temperatura ambiente, o que a classifica entre os metais nobres, mas escurece na presença de compostos de enxofre, formando uma película escura de sulfeto. Nos compostos, o estado de oxidação mais um é largamente predominante, e seus haletos são sensíveis à luz, propriedade que fundou a fotografia.

Ocorrência na natureza

A prata é rara, com abundância na crosta terrestre em torno de centésimos de parte por milhão. Ocorre ocasionalmente na forma nativa, em filamentos e massas metálicas, mas a maior parte está combinada em sulfetos como a argentita e em minerais associados a chumbo, zinco e cobre. México, Peru e China lideram a produção mundial, e boa parte da oferta é subproduto da lavra de outros metais.

Processo de obtenção

Cerca de dois terços da prata produzida no mundo não vêm de minas de prata, mas de operações voltadas ao chumbo, ao zinco, ao cobre e ao ouro, nas quais o metal é recuperado dos resíduos e das lamas do refino eletrolítico. Minérios especificamente argentíferos passam por concentração e por processos de dissolução seletiva seguidos de precipitação. O refino final, que produz barras de alta pureza, é eletrolítico. A reciclagem de sucata, contatos elétricos e joias é uma fonte permanente.

Aplicações

O uso industrial superou o ornamental: pastas condutoras de prata formam as trilhas que recolhem a corrente nas células dos painéis solares, e o metal está em contatos, relés, interruptores, ligas de solda forte e blindagens eletromagnéticas. Espelhos de precisão e refletores aproveitam sua refletividade. Compostos de prata catalisam a produção de óxido de etileno e de formaldeído em escala industrial. Na saúde, sais e coberturas com prata são usados em curativos e no tratamento de queimaduras por sua ação antimicrobiana. Persistem os usos tradicionais em moedas, medalhas, joias, baixelas e instrumentos, e os haletos de prata ainda atendem nichos da fotografia química.

Importância biológica

A prata não é um nutriente essencial e não desempenha função conhecida no metabolismo humano. O íon prata, no entanto, interfere em enzimas e membranas de bactérias e fungos, o que explica seu efeito antimicrobiano e seu emprego em produtos médicos. A absorção crônica pelo organismo humano leva ao depósito do metal na pele e nas mucosas, condição chamada argiria, que produz uma coloração acinzentada permanente.

Riscos e precauções

A prata metálica em objetos de uso comum é considerada segura, e o metal tem toxicidade baixa por ingestão acidental. Os riscos aparecem na exposição repetida a compostos solúveis e a poeiras finas, que podem irritar pele, olhos e vias respiratórias e, a longo prazo, causar argiria, alteração irreversível da cor da pele. Produtos vendidos como prata coloidal para consumo oral não têm eficácia comprovada e já foram associados a efeitos adversos, motivo de alerta de autoridades sanitárias. Íons prata são muito tóxicos para organismos aquáticos, o que torna o descarte de efluentes uma questão ambiental. Em uso profissional, siga a ficha de informações de segurança e a orientação de profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

A prata é conhecida e trabalhada há mais de cinco mil anos, com objetos e escórias que atestam sua separação do chumbo já na Antiguidade, na Anatólia e no Egeu. Foi o metal monetário por excelência em boa parte do mundo e, a partir do século XVI, a exploração colonial dos depósitos andinos, sobretudo em Potosí, inundou os mercados europeus e asiáticos, alterando preços e rotas comerciais em escala global.

Origem do nome

A palavra portuguesa vem do latim platta, chapa de metal, enquanto o símbolo Ag deriva de argentum, o nome latino do metal, ligado ao grego argyros, branco e brilhante. Argentina é o único país cujo nome se refere a um elemento químico.

Isótopos relevantes

¹⁰⁷Ag (cerca de 51,8%) e ¹⁰⁹Ag (cerca de 48,2%).

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • O cobre é usado em fiação apesar de a prata conduzir melhor, porque a diferença de desempenho é pequena e a de preço é enorme.
  • A mancha escura em objetos de prata é sulfeto formado por compostos de enxofre do ar e de alguns alimentos, não ferrugem.
  • O nome do Rio da Prata foi dado por navegadores europeus na expectativa de encontrar o metal no interior do continente.