Ir para o conteúdo principal
Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos

Guia · leitura de 7 minutos

Os elementos químicos do corpo humano

Seis elementos formam cerca de 99% do corpo, e dezenas de outros, em traços, sustentam o metabolismo. Veja o que cada grupo faz.

Seis elementos, quase tudo

Em massa, o corpo de um adulto é formado sobretudo por oxigênio, que responde por pouco menos de dois terços do total, seguido de carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio e fósforo. Esses seis elementos somam cerca de 99% da massa corporal. O oxigênio domina porque a maior parte do corpo é água; o carbono é o esqueleto de todas as moléculas orgânicas, como proteínas, lipídios, carboidratos e ácidos nucleicos.

Em número de átomos, o hidrogênio lidera, já que seus átomos são muito leves e estão presentes na água e em praticamente todos os compostos orgânicos. Os percentuais variam com idade, sexo e composição corporal, e os valores citados em tabelas são aproximações médias.

Os macroelementos

Além dos seis principais, o enxofre, o potássio, o sódio, o cloro e o magnésio são necessários em quantidades relativamente grandes. O enxofre está em aminoácidos como a cisteína e a metionina e confere estabilidade às proteínas por meio de pontes dissulfeto. O sódio e o cloro regulam o volume e a pressão dos líquidos corporais; o potássio é essencial à transmissão do impulso nervoso e à contração do coração.

O cálcio e o fósforo formam a hidroxiapatita, mineral que dá rigidez a ossos e dentes. Cerca de 99% do cálcio do corpo está no esqueleto, mas a pequena fração circulante é decisiva: participa da coagulação do sangue, da contração muscular e da comunicação entre células. O magnésio atua como cofator de centenas de enzimas.

Os oligoelementos

Elementos requeridos em quantidades muito pequenas, medidas em miligramas ou microgramas por dia, são chamados oligoelementos ou elementos-traço. O ferro faz parte da hemoglobina, a proteína que transporta oxigênio no sangue, e da mioglobina, que o armazena nos músculos. O zinco é cofator de mais de uma centena de enzimas e participa da cicatrização e da resposta imunológica.

O iodo é componente dos hormônios da tireoide, que regulam o metabolismo; sua deficiência causa o bócio e, na gestação, prejudica o desenvolvimento do sistema nervoso do feto, razão pela qual o sal de cozinha no Brasil é iodado por determinação legal. O cobre, o manganês, o selênio, o cromo, o molibdênio e o cobalto, este no interior da vitamina B12, completam o grupo dos essenciais bem estabelecidos.

A dose faz o efeito

Todo elemento essencial tem uma faixa de ingestão adequada: abaixo dela, há deficiência; acima, pode haver toxicidade. O selênio, necessário à ação de enzimas antioxidantes, é tóxico em excesso. O ferro em excesso lesa fígado e coração. Até a água, em volume exagerado e em pouco tempo, pode causar hiponatremia, ao diluir o sódio do sangue.

Por essa razão, suplementos não devem ser usados sem indicação profissional. A informação deste guia tem caráter educativo e não substitui avaliação médica ou nutricional, e as necessidades individuais variam com idade, gestação, doenças e dieta.

Elementos sem função conhecida ou nocivos

Alguns elementos estão presentes em traços sem que se conheça função biológica, como o rubídio e o estrôncio, absorvidos por semelhança química com o potássio e o cálcio. Outros são francamente tóxicos, como o chumbo, o mercúrio, o cádmio e o arsênio, que interferem em enzimas e se acumulam em tecidos.

O chumbo ilustra bem o problema: mimetiza o cálcio e o zinco, atravessa a barreira entre sangue e cérebro e prejudica o desenvolvimento cognitivo de crianças, mesmo em doses baixas. A retirada do chumbo da gasolina e das tintas foi uma das mais bem-sucedidas medidas de saúde pública do século XX.

Elementos na medicina

Além do papel nutricional, vários elementos servem como ferramentas diagnósticas e terapêuticas. O tecnécio-99m, radioisótopo de meia-vida curta, é o mais usado em cintilografia. O iodo-131 é empregado no tratamento de doenças da tireoide. Compostos de platina são a base de importantes quimioterápicos, e sais de lítio são medicamentos de referência para o transtorno bipolar.

O gadolínio, no formato de quelatos estáveis, é usado como meio de contraste em ressonância magnética, e o bário, na forma de sulfato insolúvel, em exames radiográficos do tubo digestivo. Em todos esses casos, o uso é feito sob prescrição e supervisão, com formulações desenvolvidas para reduzir a toxicidade.

De onde vêm os elementos do corpo

O hidrogênio do corpo vem do Big Bang, há cerca de 13,8 bilhões de anos. Já o carbono, o oxigênio, o nitrogênio e o ferro foram forjados em estrelas, por fusão nuclear, e espalhados pelo espaço quando elas morreram. Os elementos mais pesados que o ferro resultam, em grande parte, de eventos violentos, como a explosão de supernovas e a fusão de estrelas de nêutrons.

Cada átomo de carbono do seu corpo teve, portanto, uma história anterior ao Sol e à Terra. A frase popular de que somos poeira de estrelas é, nesse sentido, literalmente verdadeira.

Última revisão: Relatar um erro nesta página