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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
118 Og [294]

Gases nobres · 7º período

Oganessônio

Elemento mais pesado já produzido, o oganessônio encerra a tabela periódica atual, homenageia um cientista vivo e provavelmente não se comporta como os demais gases nobres de sua coluna.

Diagrama do átomo de Oganessônio com 7 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 32, 18, 8 elétrons do núcleo para fora.Og

Principais propriedades

Não existe nenhuma propriedade medida do oganessônio. O elemento ocupa a coluna dos gases nobres, mas os cálculos mais recentes indicam que essa classificação seria enganosa: os efeitos relativísticos seriam tão intensos que a estrutura de camadas eletrônicas se tornaria difusa, quase uniforme, e o elemento seria bem mais reativo e polarizável que os gases nobres conhecidos, possivelmente sólido em condições ambientes.

Todo o conhecimento experimental se resume a um punhado de eventos de decaimento. Apenas um isótopo foi identificado com segurança, com meia-vida da ordem de milissegundos, e o número total de átomos já produzidos no mundo cabe nos dedos das mãos. Nenhum experimento químico é possível com uma taxa de produção dessa ordem.

Ocorrência na natureza

O oganessônio não existe na natureza. Sua meia-vida de milissegundos exclui qualquer possibilidade de permanência, e nenhum processo natural conhecido, na Terra ou fora dela, produziria o elemento em quantidade detectável. Ele existe apenas como resultado de experimentos deliberados.

Processo de obtenção

A produção emprega a fusão de núcleos em aceleradores, com um feixe de íons de cálcio dirigido contra um alvo de califórnio. A probabilidade de fusão é tão baixa que meses de operação contínua podem render um único átomo. O produto é separado do feixe e implantado em um detector, e a identificação depende inteiramente da correlação entre a chegada do átomo e a sequência de decaimentos que se segue, com energias e tempos comparáveis às previsões.

Aplicações

O oganessônio não tem e não terá qualquer aplicação prática. Seu papel é conceitual: ao encerrar a sétima linha da tabela periódica, ele marca o limite atual do que se conseguiu criar e serve de teste extremo para as teorias que descrevem átomos e núcleos. A pergunta que ele coloca, sobre onde a tabela periódica deixa de ser um bom guia, orienta a pesquisa que busca os elementos das linhas seguintes.

Riscos e precauções

Com poucos átomos já produzidos em toda a história, não existe qualquer forma de exposição ao oganessônio. Os riscos reais dos experimentos vêm dos alvos de actinídeos, dos feixes acelerados e da radiação gerada nas instalações, controlados por blindagem, contenção, intertravamentos e monitoramento de dose, sob licenciamento e fiscalização. Informações técnicas sobre os materiais envolvidos devem ser buscadas na ficha de informações de segurança, junto aos órgãos reguladores de energia nuclear e a profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

O primeiro átomo do elemento 118 foi registrado em 2002 pela colaboração entre o instituto de Dubna e um laboratório nacional norte-americano, com o anúncio formal em 2006, após novos eventos confirmarem o resultado. Houve um antecedente constrangedor: em 1999 um grupo da Califórnia havia anunciado a criação do elemento, retratando-se depois ao descobrir que os dados haviam sido fabricados. A comissão internacional reconheceu a descoberta legítima em 2015, e o nome foi oficializado em 2016.

Origem do nome

Homenagem a Iuri Oganessian, físico armênio-russo que liderou por décadas a pesquisa em elementos superpesados no instituto de Dubna e desenvolveu a técnica de fusão que permitiu criar vários elementos. É o segundo elemento a receber o nome de uma pessoa viva, depois do seabórgio.

Isótopos relevantes

Apenas ²⁹⁴Og foi identificado com segurança, com meia-vida da ordem de milissegundos.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • Ocupa a coluna dos gases nobres, mas as previsões indicam que ele seria reativo e provavelmente sólido, e não um gás inerte.
  • É o segundo elemento da tabela periódica nomeado em homenagem a alguém ainda vivo no momento da decisão.
  • Sua oficialização em 2016 completou a sétima linha da tabela periódica, encerrando um ciclo de mais de meio século de sínteses.