Ir para o conteúdo principal
Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
86 Rn [222]

Gases nobres · 6º período

Radônio

Gás nobre radioativo formado no decaimento do urânio, o radônio infiltra-se do solo para dentro das edificações e é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como causa de câncer de pulmão.

Diagrama do átomo de Radônio com 6 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 18, 8 elétrons do núcleo para fora.Rn

Principais propriedades

O radônio é um gás nobre incolor, inodoro e insípido, o mais denso dos gases em condições ambientes, com massa específica cerca de oito vezes maior que a do ar. Como os demais gases nobres, é quimicamente muito pouco reativo, embora se conheçam poucos compostos com flúor obtidos em laboratório.

Todos os seus isótopos são radioativos. O mais relevante, o radônio-222, decai por emissão alfa com meia-vida de aproximadamente três dias e oitenta e três centésimos, originando uma série de produtos sólidos de vida curta, também radioativos, que aderem a poeiras e superfícies. Por ser um gás, difunde-se por poros do solo, fissuras e materiais de construção, e é apreciavelmente solúvel em água, o que permite seu transporte por lençóis subterrâneos.

Ocorrência na natureza

O radônio se forma continuamente em qualquer lugar onde exista urânio, ou seja, em praticamente todos os solos e rochas, como produto do decaimento do rádio. Ao ar livre, dispersa-se rapidamente e sua concentração é muito baixa. O problema surge em ambientes fechados, sobretudo em pavimentos térreos, subsolos, porões e cavernas, onde o gás que escapa do terreno pode acumular-se. As concentrações variam enormemente de uma construção para outra e dependem da geologia local, com valores mais altos em terrenos graníticos e em áreas de mineração, do tipo de fundação e, decisivamente, da ventilação. Águas de poços profundos em rochas cristalinas também podem carregar o gás.

Processo de obtenção

Não existe produção industrial de radônio, nem seria possível estocá-lo: o gás decai pela metade em poucos dias. Historicamente, era coletado a partir de soluções de sais de rádio, que o liberam continuamente, e selado em pequenos tubos de vidro para uso médico, prática abandonada há muito tempo. Em pesquisa, o gás é gerado quando necessário a partir de fontes de rádio em instalações licenciadas, sempre em quantidades mínimas e com sistemas fechados.

Aplicações

O radônio praticamente não tem aplicações. No início do século XX, tubos com o gás foram usados em radioterapia, função hoje cumprida por radioisótopos artificiais mais seguros e controláveis, e produtos comerciais que prometiam benefícios à saúde por exposição ao gás foram completamente desacreditados. Restam usos científicos: como traçador natural, o radônio ajuda a estudar o transporte de ar e de água subterrânea, a mapear falhas geológicas e a acompanhar processos em vulcões, e sua medição sistemática é ferramenta de avaliação de qualidade do ar interior. O interesse principal em torno do elemento é, portanto, de saúde pública, não industrial.

Riscos e precauções

A exposição prolongada ao radônio em ambientes fechados é reconhecida internacionalmente como a segunda causa de câncer de pulmão, depois do tabagismo, e a principal entre pessoas que nunca fumaram. O dano não vem do gás em si, que é inerte e em grande parte exalado, mas de seus produtos de decaimento sólidos, que ficam retidos nas vias respiratórias e emitem radiação alfa junto ao tecido pulmonar. O risco cresce com a concentração e com o tempo de permanência, e é significativamente maior em fumantes. A Organização Mundial da Saúde estima que o radônio responda por uma parcela entre três e catorze por cento dos casos de câncer de pulmão, dependendo do país, e recomenda um nível de referência da ordem de cem becquerels por metro cúbico de ar em residências. A concentração só pode ser conhecida por medição, feita com detectores específicos ao longo de semanas ou meses por serviços especializados. Quem tem preocupação com o assunto, especialmente moradores de pavimentos térreos e subsolos em regiões de geologia favorável, deve buscar avaliação técnica junto a laboratórios e órgãos competentes, e orientação médica em caso de sintomas respiratórios; consulte também a ficha de informações de segurança e profissionais habilitados em situações de uso técnico do gás.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

A existência de uma emanação radioativa gasosa foi notada no fim do século XIX por vários pesquisadores: Ernest Rutherford e Robert Owens observaram um efeito desse tipo em compostos de tório em 1899, e Pierre e Marie Curie perceberam que o ar em contato com o rádio se tornava ativo. Em 1900, na Alemanha, Friedrich Ernst Dorn descreveu de forma sistemática o gás liberado pelo rádio, feito que lhe é atribuído como a descoberta do elemento. William Ramsay e Robert Whytlaw-Gray o isolaram e determinaram suas propriedades em 1908, chamando-o niton; o nome radônio foi padronizado internacionalmente na década de 1920.

Origem do nome

Deriva de rádio, o elemento de cujo decaimento o gás se origina, com a terminação característica dos gases nobres. Antes disso foi chamado de emanação do rádio e de niton, do latim nitens, brilhante, em referência à luminescência que o gás produz.

Isótopos relevantes

Todos os isótopos são radioativos; ²²²Rn, formado na cadeia de decaimento do urânio, é o de maior interesse em qualidade do ar.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • É o gás mais denso conhecido em condições ambientes, cerca de oito vezes mais pesado que o ar.
  • Estações termais que no passado anunciavam águas radioativas como tônicas exploravam justamente a presença de radônio, hoje entendida como um risco.
  • Como decai pela metade em menos de quatro dias, o radônio não pode ser armazenado nem transportado, apenas medido onde se forma.