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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
36 Kr 83,798

Gases nobres · 4º período

Criptônio

Gás nobre raríssimo no ar, o criptônio ilumina lâmpadas de alto desempenho, preenche vidros isolantes e chegou a definir oficialmente o metro por meio de uma de suas linhas espectrais.

Diagrama do átomo de Criptônio com 4 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 8 elétrons do núcleo para fora.Kr

Principais propriedades

O criptônio é um gás monoatômico incolor e inodoro, quimicamente muito pouco reativo por ter a camada eletrônica externa completa. Sob descarga elétrica, emite luz esbranquiçada com forte componente no verde e no violeta, e seu espectro apresenta linhas de nitidez excepcional.

Ao contrário dos gases nobres mais leves, o criptônio forma alguns compostos em condições especiais, com destaque para o difluoreto de criptônio, estável apenas a temperaturas muito baixas. É mais denso que o ar e conduz mal o calor, propriedade explorada em isolamento térmico.

Ocorrência na natureza

O criptônio é um dos componentes mais escassos da atmosfera, com cerca de uma parte por milhão em volume, e é praticamente ausente da crosta terrestre por não formar compostos estáveis. Traços do gás também surgem em rochas e em água como produto de decaimento radioativo e de fissão nuclear.

Processo de obtenção

O gás é obtido exclusivamente como subproduto da destilação fracionada do ar liquefeito, em unidades que separam nitrogênio e oxigênio em grande escala e recuperam os gases raros nas frações mais pesadas. O rendimento é minúsculo em relação ao volume de ar processado, o que explica o preço elevado e a produção mundial limitada.

Aplicações

Misturado a outros gases, o criptônio aumenta a eficiência e a vida útil de lâmpadas incandescentes e de fluorescentes, e sozinho alimenta lâmpadas de aeroportos e faróis de alta intensidade. Vidros duplos e triplos de janelas de alto desempenho são preenchidos com o gás por seu poder isolante superior ao do argônio. Lasers de fluoreto de criptônio produzem radiação ultravioleta usada na fabricação de microchips e em cirurgias oftalmológicas, e um isótopo radioativo do elemento serve em medidores industriais de espessura e detecção de vazamentos.

Riscos e precauções

O criptônio não é tóxico nem inflamável, mas, sendo mais denso que o ar, acumula-se em partes baixas de ambientes fechados e pode provocar asfixia por deslocamento do oxigênio, sem qualquer sinal perceptível. Cilindros pressurizados exigem armazenamento, transporte e manuseio conforme normas técnicas, e o gás liquefeito causa queimaduras por frio extremo. Em uso profissional, siga a ficha de informações de segurança e a orientação de profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

William Ramsay e Morris Travers descobriram o criptônio em 1898, ao evaporar lentamente uma amostra de ar liquefeito e examinar o espectro das últimas frações remanescentes. Foi o primeiro dos três gases nobres que a dupla identificou naquele ano, seguido pelo neônio e pelo xenônio, completando a coluna dos elementos inertes iniciada com o argônio e o hélio.

Origem do nome

Do grego kryptos, oculto ou escondido, escolhido porque o gás estava dissimulado no ar em quantidade tão pequena que passara despercebido a todas as análises anteriores da atmosfera.

Isótopos relevantes

⁸⁴Kr (cerca de 57%), ⁸⁶Kr, ⁸²Kr, ⁸³Kr e ⁸⁰Kr em proporções menores.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • Entre 1960 e 1983, o metro foi definido internacionalmente pelo comprimento de onda de uma linha laranja-avermelhada emitida por um isótopo de criptônio.
  • Apesar de pertencer aos gases nobres, o criptônio forma compostos com o flúor em condições de temperatura muito baixa.
  • Medir a proporção de isótopos de criptônio na água subterrânea permite estimar há quanto tempo ela ficou isolada da atmosfera.