Gases nobres · 3º período
Argônio
Terceiro gás mais abundante da atmosfera, o argônio é quimicamente inerte e barato o suficiente para ser usado em larga escala como atmosfera protetora em soldagem, lâmpadas e metalurgia.
- Gases nobres
- Grupo 18
- 3º período
- Bloco p
- Gasoso
- Natural
Principais propriedades
O argônio é um gás monoatômico incolor e inodoro, sem reatividade química em condições normais, resultado de uma camada externa de elétrons completa. É mais denso que o ar, característica útil quando se deseja formar uma cobertura protetora sobre uma superfície.
Entre os gases nobres, reúne inércia e disponibilidade: é o mais abundante deles na atmosfera e o de menor custo, o que o consagrou como gás inerte padrão da indústria. Submetido a descarga elétrica, emite luz de tonalidade violeta-azulada.
Ocorrência na natureza
Representa cerca de 0,93% do volume da atmosfera, atrás apenas do nitrogênio e do oxigênio. Quase todo o argônio terrestre resulta do decaimento radioativo do potássio-40 nas rochas, processo que ao longo de bilhões de anos liberou o gás para o ar.
Processo de obtenção
É obtido por destilação fracionada do ar liquefeito, na mesma planta que separa nitrogênio e oxigênio, o que explica seu custo relativamente baixo em comparação com os demais gases nobres.
Aplicações
Fornece atmosfera protetora na soldagem de aços inoxidáveis, alumínio e titânio, impedindo que o metal quente reaja com o ar. Também preenche lâmpadas, protege metais fundidos na siderurgia, isola vidros duplos de janelas de alto desempenho e serve de gás de arraste em instrumentos de análise química. Museus e arquivos recorrem ao argônio para conservar documentos e objetos sensíveis à oxidação.
Riscos e precauções
O argônio não é tóxico nem inflamável, mas, por ser mais denso que o ar, acumula-se em fossos, tanques e porões, deslocando o oxigênio e criando risco de asfixia sem qualquer sinal perceptível. Espaços confinados exigem monitoramento da atmosfera antes da entrada. Cilindros pressurizados e o gás liquefeito demandam manuseio conforme normas técnicas, com observância da ficha de informações de segurança e da orientação de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Lord Rayleigh notou que o nitrogênio extraído do ar era ligeiramente mais denso que o obtido de compostos químicos, discrepância pequena que decidiu investigar em vez de ignorar. Ao lado de William Ramsay, identificou em 1894 um gás desconhecido e sem reatividade, o primeiro dos gases nobres. A descoberta obrigou a acrescentar uma coluna inteira à tabela periódica e rendeu aos dois o Prêmio Nobel em 1904, em física e em química respectivamente.
Origem do nome
Do grego argos, inativo ou preguiçoso, escolhido para descrever a recusa do gás em participar de qualquer reação química conhecida na época.
Isótopos relevantes
⁴⁰Ar (cerca de 99,6%), ³⁶Ar e ³⁸Ar; a razão entre ⁴⁰Ar e ³⁶Ar é usada em datação de rochas.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- Foi o primeiro gás nobre identificado, e sua descoberta exigiu uma nova coluna na tabela periódica.
- A razão entre isótopos de argônio em rochas permite estimar sua idade geológica.
- É o gás nobre mais abundante da atmosfera terrestre, muito à frente do neônio e do hélio.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Argônio na tabela periódica.