Metais de transição · 7º período
Meitnério
Único elemento que homenageia exclusivamente uma cientista, o meitnério lembra Lise Meitner, coautora da explicação da fissão nuclear e ignorada no Nobel concedido a seu colaborador de longa data.
- Metais de transição
- Grupo 9
- 7º período
- Bloco d
- Não determinado
- Sintético
Principais propriedades
Não há nenhuma propriedade física ou química do meitnério medida experimentalmente. Todos os valores encontrados em tabelas são estimativas teóricas, e mesmo o estado físico é uma previsão: os cálculos indicam um metal sólido e muito denso, provavelmente com comportamento aparentado ao do irídio, sem que exista qualquer forma de confirmar isso.
A dificuldade tem uma razão prática. Desde 1982 o número total de átomos de meitnério produzidos em todo o mundo é da ordem de poucas dezenas, cada um existindo por frações de segundo. Não houve, até hoje, experimento químico com o elemento, e ele permanece um dos poucos casos em que a única informação disponível vem de suas propriedades nucleares e do que a teoria consegue prever.
Ocorrência na natureza
O meitnério não ocorre naturalmente. Seus isótopos decaem em frações de segundo, e nenhum processo terrestre é capaz de produzi-lo. Sua existência se limita ao intervalo entre a fusão de dois núcleos em um acelerador e o decaimento que ocorre logo depois.
Processo de obtenção
A síntese emprega feixes de íons pesados dirigidos contra alvos metálicos finos, com fusão nuclear ocorrendo em uma proporção minúscula das colisões. O átomo formado é separado do feixe por um dispositivo eletromagnético e implantado em um detector sensível à posição, que registra o instante da chegada e cada decaimento subsequente. A identificação depende da correlação temporal entre esses sinais, um método que permite reconhecer um único átomo com confiança estatística.
Aplicações
O meitnério não tem aplicação alguma, e nem poderia ter. Todo o seu valor está na pesquisa fundamental sobre estabilidade nuclear: cada isótopo produzido acrescenta um ponto ao mapa que os físicos usam para entender como prótons e nêutrons se organizam em núcleos muito grandes e onde estariam os limites da matéria.
Riscos e precauções
Não existe possibilidade de exposição ao meitnério, pois o elemento não existe em forma acumulada em lugar algum. Os cuidados radiológicos nos laboratórios que o produzem referem-se aos alvos, aos feixes acelerados e à radiação secundária, controlados por blindagem, intertravamentos e dosimetria pessoal. Essas instalações operam sob licenciamento, e informações técnicas devem ser buscadas na ficha de informações de segurança, junto aos órgãos reguladores de energia nuclear e a profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
O elemento 109 foi detectado em 1982 pela equipe de Peter Armbruster e Gottfried Münzenberg, em Darmstadt, em um experimento que produziu um único átomo, identificado pela cadeia de decaimentos que ele deixou no detector. A confirmação exigiu anos e novos experimentos. O nome foi proposto pelo grupo alemão e oficializado em 1997, no mesmo acordo que resolveu as disputas de nomenclatura acumuladas desde os anos 1960.
Origem do nome
Homenagem a Lise Meitner, física austríaca que, junto com Otto Frisch, interpretou corretamente os resultados experimentais que revelaram a fissão nuclear. É o único elemento da tabela periódica nomeado exclusivamente em referência a uma mulher, já que o cúrio homenageia o casal Curie.
Isótopos relevantes
Todos os isótopos são radioativos e de vida curta; ²⁷⁸Mt é o mais longevo conhecido.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- A descoberta se apoiou inicialmente em um único átomo, detectado pela sequência de radiações que emitiu ao se desintegrar.
- Lise Meitner não recebeu o Nobel pela explicação da fissão nuclear, prêmio concedido apenas a Otto Hahn, seu colaborador por décadas.
- Até hoje não se realizou nenhum experimento químico com o elemento, cuja produção total soma poucas dezenas de átomos.
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