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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
116 Lv [293]

Metais representativos · 7º período

Livermório

O livermório homenageia um laboratório norte-americano que colaborou por anos com o instituto russo de Dubna, parceria responsável por vários dos elementos mais pesados hoje conhecidos.

Diagrama do átomo de Livermório com 7 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 32, 18, 6 elétrons do núcleo para fora.Lv

Principais propriedades

Não existem propriedades medidas do livermório. As previsões teóricas indicam um sólido em condições ambientes, com comportamento químico que se afastaria bastante do polônio, o vizinho mais leve de seu grupo, sobretudo quanto à estabilidade dos estados de oxidação. Nenhum experimento químico foi possível até hoje.

O que se conhece são dados nucleares obtidos a partir de pouquíssimos eventos. Os isótopos identificados têm meias-vidas de dezenas de milissegundos, e suas cadeias de decaimento passam pelo fleróvio e pelo copernício, o que reforça a consistência do conjunto de resultados obtidos pelos diferentes laboratórios.

Ocorrência na natureza

O livermório não existe na natureza. Suas meias-vidas de milissegundos tornam impossível qualquer presença natural, e nenhum mecanismo terrestre é capaz de produzi-lo. Todos os átomos já criados somam algumas dezenas de eventos registrados em experimentos.

Processo de obtenção

O elemento é produzido pela fusão de núcleos em aceleradores, com feixe de íons de cálcio dirigido contra um alvo de cúrio. Os poucos átomos formados são separados do feixe e implantados em detectores que registram, em sequência, as radiações emitidas nos decaimentos sucessivos. A identificação é indireta e estatística, apoiada na comparação com cadeias já estabelecidas.

Aplicações

O livermório não tem aplicação alguma, e sua vida extremamente curta descarta qualquer possibilidade nesse sentido. O elemento existe para a ciência básica: cada isótopo produzido acrescenta informação ao mapa dos núcleos e ajuda a delimitar por onde passaria a fronteira da ilha de estabilidade.

Riscos e precauções

Não existe material do elemento e, portanto, nenhum risco de exposição fora do experimento. A proteção radiológica nas instalações envolvidas se dirige aos alvos de actinídeos, aos feixes acelerados e à radiação gerada nas salas experimentais, com blindagem, intertravamentos e dosimetria, sempre sob licenciamento e fiscalização. Para informações sobre os materiais, consulte a ficha de informações de segurança, os órgãos reguladores de energia nuclear e profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

O elemento 116 foi produzido em 2000 pela colaboração entre o instituto de Dubna e um laboratório nacional norte-americano, com a técnica de fusão por feixe de cálcio. Curiosamente, a primeira reivindicação de um elemento com esse número atômico havia sido feita em 1999 por um grupo da Califórnia e foi retirada pouco depois, quando se constatou que os dados que a sustentavam haviam sido fabricados por um pesquisador, episódio que gerou grande repercussão. A descoberta legítima foi reconhecida em 2011 e o nome oficializado em 2012.

Origem do nome

Homenagem ao Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, e à cidade de Livermore, em reconhecimento à parceria científica de longa data entre a instituição norte-americana e o instituto russo de Dubna.

Isótopos relevantes

Todos os isótopos são radioativos e de vida muito curta; ²⁹³Lv é o mais longevo conhecido.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • Uma reivindicação anterior sobre o elemento foi retirada depois que se constatou fraude nos dados apresentados, um dos casos de má conduta científica mais comentados da área.
  • Seus isótopos duram poucas dezenas de milissegundos, tempo em que a luz percorreria cerca de dez mil quilômetros.
  • O nome celebra uma colaboração internacional em um período em que a cooperação entre os dois países era rara em áreas sensíveis.