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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
114 Fl [289]

Metais representativos · 7º período

Fleróvio

Diretamente associado às previsões sobre a ilha de estabilidade, o fleróvio homenageia o fundador do laboratório russo de Dubna e ocupa uma posição considerada especial pelos modelos nucleares.

Diagrama do átomo de Fleróvio com 7 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 32, 18, 4 elétrons do núcleo para fora.Fl

Principais propriedades

Não há propriedades físicas medidas do fleróvio. A discussão central diz respeito à sua natureza química: por estar no mesmo grupo do chumbo, esperar-se-ia um metal comum, mas os cálculos indicam que os efeitos relativísticos estabilizam fortemente um par de elétrons externos, o que reduziria a reatividade e aumentaria a volatilidade do elemento.

Experimentos de adsorção com pouquíssimos átomos produziram resultados que alimentaram o debate: alguns indicaram interação fraca com superfícies metálicas, compatível com um elemento bastante volátil, enquanto outros apontaram comportamento mais próximo do metálico. Com um punhado de eventos por experimento, a incerteza estatística é grande e a questão segue aberta.

Ocorrência na natureza

O fleróvio não existe na natureza. Seus isótopos, ainda que estejam entre os mais duradouros dos superpesados, sobrevivem apenas segundos, prazo incompatível com qualquer permanência geológica. Buscas por vestígios naturais do elemento foram realizadas e nada encontraram.

Processo de obtenção

O elemento é produzido pela fusão de núcleos em aceleradores, com um feixe de íons de cálcio dirigido contra alvos de actinídeos, técnica que abriu caminho para toda a série de elementos entre o 113 e o 118. Os átomos formados são separados do feixe, implantados em detectores e reconhecidos pela sequência de decaimentos alfa que se sucede em intervalos característicos, até terminar em fissão ou em núcleos conhecidos.

Aplicações

O fleróvio não tem aplicação prática. Seu interesse científico, porém, é dos maiores entre os superpesados: os modelos nucleares apontam o número de prótons do elemento como possivelmente favorável à estabilidade, o que faz dele uma das melhores portas de entrada para a chamada ilha de estabilidade, região hipotética do mapa dos núcleos onde certos elementos superpesados teriam vidas muito mais longas do que os produzidos até agora.

Riscos e precauções

Não existe qualquer material de fleróvio disponível, e portanto nenhum risco de exposição fora do contexto experimental. Os cuidados radiológicos se dirigem aos alvos de actinídeos, aos feixes acelerados e à radiação gerada nas salas experimentais, com blindagem, controle de acesso e dosimetria, sob licenciamento e fiscalização. Informações sobre esses materiais constam da ficha de informações de segurança, das normas dos órgãos reguladores de energia nuclear e da orientação de profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

O elemento 114 foi produzido em 1999 pela equipe do instituto de Dubna, em colaboração com laboratórios dos Estados Unidos, empregando uma técnica de fusão com feixe de cálcio que se mostraria decisiva para o avanço na tabela periódica. A confirmação por outros grupos levou mais de uma década, e a comissão internacional reconheceu a descoberta em 2011. O nome foi oficializado em 2012, junto com o do livermório.

Origem do nome

Homenagem a Gueorgui Fliorov, físico soviético que fundou o laboratório de reações nucleares de Dubna e cujo trabalho estabeleceu as bases da pesquisa com íons pesados que produziria dezenas de novos isótopos e vários elementos.

Isótopos relevantes

Todos os isótopos são radioativos e de vida curta; ²⁸⁹Fl é o mais longevo conhecido.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • O número de prótons do fleróvio aparece em vários modelos como candidato a número mágico, associado a maior estabilidade nuclear.
  • É um dos poucos elementos superpesados cujo comportamento químico chegou a ser sondado experimentalmente, ainda que sem conclusão definitiva.
  • A técnica de fusão com feixe de cálcio, usada em sua síntese, viabilizou a criação de todos os elementos até o número 118.