Metais representativos · 7º período
Nihônio
Descoberto por uma equipe japonesa após anos de tentativas frustradas, o nihônio leva um dos nomes do Japão e coroou quase uma década de trabalho com apenas três átomos detectados.
- Metais representativos
- Grupo 13
- 7º período
- Bloco p
- Não determinado
- Sintético
Principais propriedades
Nenhuma propriedade física do nihônio foi medida. Prevê-se um sólido em condições ambientes, com comportamento químico aparentado ao do tálio, mas os cálculos indicam desvios importantes: o estado de oxidação mais baixo tenderia a ser ainda mais favorecido que no tálio, e o elemento poderia ser mais volátil do que a posição no grupo sugere.
Todo o conhecimento experimental disponível vem de propriedades nucleares: energias de decaimento e meias-vidas de alguns isótopos, deduzidas a partir de um número muito reduzido de eventos. Alguns isótopos do nihônio aparecem também como produtos intermediários no decaimento do moscóvio, o que forneceu dados adicionais sem que fosse necessário produzi-los diretamente.
Ocorrência na natureza
O nihônio não existe na natureza. Seus isótopos são radioativos e de vida curta, e nenhum processo natural terrestre o produz. Ele só passou a existir a partir de 2004, quando foi criado em laboratório pela primeira vez.
Processo de obtenção
A equipe japonesa obteve o elemento pela fusão de núcleos, dirigindo um feixe de íons de zinco contra um alvo de bismuto durante períodos que somaram anos de operação. A taxa de sucesso foi extraordinariamente baixa: os três átomos confirmados apareceram em 2004, 2005 e 2012. Cada evento foi identificado pela cadeia de decaimentos registrada em detectores, que terminava em núcleos já conhecidos, o que deu segurança à atribuição.
Aplicações
O nihônio não tem aplicação alguma. Sua importância é científica e simbólica: além de contribuir para o mapeamento da estabilidade nuclear na região dos superpesados, foi o primeiro elemento cuja descoberta se atribuiu a um grupo de pesquisa asiático, marco que alterou a geografia de uma área até então dividida entre Estados Unidos, Rússia e Alemanha.
Riscos e precauções
Não existe material de nihônio, e portanto não há qualquer possibilidade de exposição ao elemento. Nos laboratórios que o produziram, a proteção radiológica se aplica aos alvos, aos feixes e à radiação secundária, com blindagens, intertravamentos e monitoramento de dose, sob licenciamento e fiscalização. Informações sobre os materiais utilizados devem ser consultadas na ficha de informações de segurança, junto aos órgãos reguladores de energia nuclear e a profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
A equipe liderada por Kosuke Morita, no Japão, registrou o primeiro átomo em 2004, após meses de operação contínua. Um grupo de Dubna havia relatado indícios do elemento no ano anterior, em experimentos de natureza distinta, e a atribuição da prioridade levou anos de análise. Em 2015, a comissão internacional reconheceu o crédito à equipe japonesa, cujos dados formavam uma cadeia de decaimentos completa e inequívoca. O nome foi oficializado em 2016.
Origem do nome
De Nihon, uma das formas de dizer Japão em japonês, cujo sentido literal remete à terra do sol nascente. A escolha marca o primeiro elemento nomeado por pesquisadores de um país asiático.
Isótopos relevantes
Todos os isótopos são radioativos e de vida curta; ²⁸⁶Nh é o mais longevo conhecido.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- Nove anos separaram o primeiro e o terceiro átomos confirmados do elemento.
- Foi o primeiro elemento cuja descoberta foi creditada a uma equipe fora da Europa, dos Estados Unidos e da Rússia.
- A equipe japonesa manteve o experimento em operação por períodos que somam mais de quinhentos dias efetivos de feixe.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Nihônio na tabela periódica.