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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
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Metais de transição · 5º período

Rutênio

Um dos elementos mais escassos da crosta terrestre, o rutênio aparece em camadas magnéticas de discos rígidos, resistores eletrônicos e catalisadores que renderam um Prêmio Nobel de Química.

Diagrama do átomo de Rutênio com 5 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 15, 1 elétrons do núcleo para fora.Ru

Principais propriedades

O rutênio é um metal branco-acinzentado, duro, quebradiço e de ponto de fusão elevado, pertencente ao grupo da platina. É notavelmente inerte: resiste a ácidos comuns e não é atacado pela água régia, comportamento que o aproxima dos metais mais nobres.

Sua química é a mais diversificada do grupo, com estados de oxidação que vão de valores baixos até mais oito, alcançado no tetróxido de rutênio. Essa amplitude, somada à facilidade com que o elemento troca elétrons em complexos, é a razão de seu peso na catálise. Pequenas adições de rutênio também melhoram significativamente a resistência à corrosão de ligas de titânio.

Ocorrência na natureza

O rutênio é um dos elementos mais raros da crosta terrestre, presente em concentrações da ordem de milésimos de parte por milhão. Ocorre disperso nos minérios de platina e nos sulfetos de níquel e cobre, além de raros minerais próprios como a laurita. Os depósitos economicamente relevantes se concentram na África do Sul, na Rússia, no Zimbábue e no Canadá.

Processo de obtenção

O rutênio é sempre um produto secundário. Ele aparece nos resíduos do refino de níquel e de platina, dos quais os metais do grupo da platina são separados um a um em sequências químicas longas, exploradas as diferenças de solubilidade e de volatilidade de seus compostos. O rutênio é isolado em uma das últimas etapas, na forma de um óxido volátil, e depois reduzido a pó metálico em refinarias especializadas. A reciclagem de catalisadores e de componentes eletrônicos é uma fonte cada vez mais importante.

Aplicações

Na eletrônica, o óxido de rutênio forma a fase condutora de resistores de filme espesso presentes em quantidade enorme de circuitos, e finas camadas do metal atuam como separador magnético nos discos rígidos de gravação de alta densidade. Contatos elétricos recebem revestimento de rutênio por sua dureza e resistência ao desgaste. Na indústria química, o elemento catalisa a síntese de amônia, hidrogenações e a reação de metátese de olefinas, ferramenta que reorganiza cadeias carbônicas e transformou a química fina. Eletrodos com óxidos de rutênio sustentam a produção industrial de cloro e de soda, e corantes de rutênio foram a base das primeiras células solares sensibilizadas.

Riscos e precauções

O rutênio metálico é inerte e considerado de baixo risco na forma maciça, mas seus compostos exigem cuidado. O tetróxido de rutênio é volátil, fortemente oxidante e muito tóxico, com potencial de causar lesões oculares e respiratórias graves, e seu uso é restrito a laboratórios e plantas com sistemas de contenção. Poeiras metálicas devem ser evitadas por inalação. Complexos do elemento em pesquisa farmacológica ainda estão em fase de investigação e não têm uso livre. Em qualquer atividade profissional, consulte a ficha de informações de segurança e profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

Depois de tentativas anteriores mal fundamentadas de anunciar novos metais nos resíduos de platina dos Urais, Karl Ernst Claus retomou o problema em Kazan e, em 1844, demonstrou de forma convincente a existência do elemento, isolando-o e caracterizando suas propriedades. Foi o último dos seis metais do grupo da platina a ser identificado, encerrando um ciclo de descobertas que se estendeu por quatro décadas.

Origem do nome

Vem de Ruthenia, designação latina para a Rússia, escolhida em referência à origem do minério estudado e ao país onde o trabalho foi realizado. A denominação já havia sido proposta antes por Gottfried Osann, e Claus decidiu preservá-la.

Isótopos relevantes

¹⁰²Ru (cerca de 32%), ¹⁰⁴Ru, ¹⁰¹Ru, ⁹⁹Ru e ¹⁰⁰Ru em proporções menores.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • A metátese de olefinas, catalisada por complexos de rutênio, foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Química de 2005.
  • Uma fração mínima de rutênio adicionada a ligas de titânio aumenta de forma expressiva sua resistência à corrosão.
  • O elemento fecha a lista dos metais do grupo da platina, todos identificados entre o início e a metade do século XIX.