Metais de transição · 5º período
Tecnécio
Primeiro elemento obtido artificialmente e o mais leve sem nenhum isótopo estável, o tecnécio é hoje o radionuclídeo mais empregado no mundo em exames de imagem médica.
- Metais de transição
- Grupo 7
- 5º período
- Bloco d
- Sólido
- Traços naturais
Principais propriedades
O tecnécio é um metal cinza-prateado de densidade elevada e ponto de fusão alto, com aparência e comportamento semelhantes aos de seus vizinhos manganês e rênio. Todos os seus isótopos são radioativos, sem exceção: é o elemento de menor número atômico nessa condição, o que faz dele um caso singular na tabela periódica.
Sua química se destaca pela variedade de estados de oxidação e pela estabilidade do íon pertecnetato, no qual o elemento aparece em sua forma mais oxidada. Esse íon é solúvel em água, quimicamente pouco reativo em meio biológico e facilmente incorporado a moléculas transportadoras, características que explicam sua utilidade em diagnóstico por imagem. O metal também exibe supercondutividade em temperaturas muito baixas.
Ocorrência na natureza
O tecnécio é praticamente ausente da natureza terrestre, porque nenhum de seus isótopos sobrevive em escala de tempo geológica. Quantidades ínfimas se formam continuamente em minérios de urânio, como produto da fissão espontânea, em proporções da ordem de fração de nanograma por quilograma de minério. Fora da Terra, o elemento foi identificado no espectro de certas estrelas gigantes, evidência direta de que a produção de elementos pesados segue em curso no interior desses astros.
Processo de obtenção
Todo o tecnécio de uso prático é produzido artificialmente. A rota que sustenta a medicina nuclear parte de um isótopo de molibdênio gerado em reatores de pesquisa, que decai lentamente para a forma metaestável do tecnécio empregada em exames; esse par é acondicionado em dispositivos blindados chamados geradores, dos quais o material de interesse é retirado nos serviços de imagem conforme a demanda. O tecnécio também aparece em quantidade apreciável no combustível nuclear irradiado, de onde pode ser recuperado. No Brasil, a produção e a distribuição de radiofármacos dependem de instituições públicas de pesquisa nuclear e são reguladas por órgãos federais.
Aplicações
A aplicação dominante é o diagnóstico por imagem. A forma metaestável do tecnécio emite radiação gama de energia bem adequada aos detectores clínicos e tem meia-vida de poucas horas, curta o suficiente para limitar a exposição do paciente e longa o suficiente para permitir o exame. Ligada a diferentes moléculas, ela se dirige a órgãos específicos e permite avaliar perfusão do miocárdio, função renal, tireoide, esqueleto, drenagem linfática e inflamações. Estima-se que a maior parte dos procedimentos de medicina nuclear realizados no mundo utilize esse radionuclídeo. Fora da medicina, o interesse é sobretudo científico, com estudos sobre o comportamento do elemento em rejeitos nucleares.
Riscos e precauções
O tecnécio é radioativo em todas as suas formas, e por isso seu emprego é integralmente regulado por normas de proteção radiológica. Em medicina, o isótopo utilizado tem meia-vida curta e é administrado em atividades calculadas para cada exame, com benefício diagnóstico que supera com folga a exposição envolvida, sempre por indicação médica e em serviços autorizados. O manejo do material, a blindagem dos geradores e o descarte de resíduos cabem exclusivamente a equipes licenciadas, com dosimetria individual. Isótopos de vida longa presentes em rejeitos nucleares exigem contenção de longo prazo. Qualquer atividade envolvendo o elemento depende da ficha de informações de segurança, das normas dos órgãos reguladores e da orientação de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
A lacuna entre o molibdênio e o rutênio na tabela periódica resistiu a várias tentativas de preenchimento, e anúncios de descoberta feitos nas décadas de 1920 e 1930 não se confirmaram. A identificação definitiva ocorreu em 1937, quando Carlo Perrier e Emilio Segrè, em Palermo, analisaram uma amostra de molibdênio irradiada em um acelerador de partículas na Califórnia e nela encontraram o elemento 43. Era a primeira vez que um elemento novo surgia de produção artificial, e não de um mineral, feito que inaugurou uma nova forma de ampliar a tabela periódica.
Origem do nome
Do grego tekhnetos, artificial, escolhido pelos descobridores para registrar que o elemento não foi extraído da natureza, mas produzido pela ação humana em um acelerador de partículas.
Isótopos relevantes
Todos os isótopos são radioativos; ⁹⁸Tc tem a meia-vida mais longa e ⁹⁹ᵐTc é largamente empregado em exames de imagem médica.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- O tecnécio foi detectado na atmosfera de estrelas gigantes, o que só é possível se estiver sendo formado ali de maneira contínua.
- Mendeleev havia previsto a existência de um elemento nessa posição da tabela periódica cerca de sessenta anos antes de sua obtenção.
- É o elemento de menor número atômico sem nenhum isótopo estável, condição que volta a aparecer no promécio e, de forma contínua, a partir do bismuto.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Tecnécio na tabela periódica.