Ir para o conteúdo principal
Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
42 Mo 95,95

Metais de transição · 5º período

Molibdênio

Com um dos pontos de fusão mais altos entre os metais, o molibdênio endurece aços especiais, catalisa o refino de petróleo e participa de enzimas presentes de bactérias a seres humanos.

Diagrama do átomo de Molibdênio com 5 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 13, 1 elétrons do núcleo para fora.Mo

Principais propriedades

O molibdênio é um metal cinza-prateado, duro e de altíssimo ponto de fusão, superior a 2600 graus Celsius, superado apenas por poucos elementos. Dilata-se pouco com o calor e mantém resistência mecânica em temperaturas em que a maioria dos metais já cedeu, combinação valiosa em fornos e em componentes térmicos.

Sua química é rica: o elemento assume vários estados de oxidação, de mais dois a mais seis, e forma um número grande de óxidos, sulfetos e compostos complexos, incluindo estruturas capazes de transferir elétrons com facilidade. É essa versatilidade eletrônica que sustenta tanto seu desempenho como catalisador industrial quanto seu papel em enzimas.

Ocorrência na natureza

A abundância do molibdênio na crosta terrestre é de cerca de uma parte por milhão. O mineral de importância econômica é a molibdenita, um sulfeto de estrutura lamelar, presente em depósitos de pórfiro. Boa parte da produção mundial vem como subproduto da lavra de cobre, e os principais países produtores são a China, o Chile, os Estados Unidos e o Peru. O elemento também está dissolvido na água do mar em concentração relativamente alta para um metal.

Processo de obtenção

O concentrado de molibdenita é convertido termicamente em óxido, produto intermediário que atende diretamente à siderurgia depois de transformado em ferromolibdênio. Para usos que exigem o metal, o óxido é reduzido com hidrogênio, gerando um pó que é consolidado por metalurgia do pó e trabalhado mecanicamente. Todas as etapas pertencem a plantas metalúrgicas de grande porte.

Aplicações

O molibdênio é um dos aditivos mais importantes da metalurgia: aumenta a dureza, a resistência ao calor e à corrosão de aços inoxidáveis, aços-ferramenta, tubulações de refinarias e superligas de turbinas. Na forma metálica, forma eletrodos, elementos de aquecimento de fornos a vácuo, suportes de filamentos e alvos de equipamentos de raios X. O dissulfeto de molibdênio é um lubrificante sólido usado onde óleos falham, e compostos do elemento são catalisadores centrais na remoção de enxofre de combustíveis, um dos processos mais praticados na indústria do petróleo. Também entra em pigmentos, inibidores de corrosão e contatos de células solares de filme fino.

Importância biológica

O molibdênio é um micronutriente essencial para seres humanos, animais, plantas e microrganismos. Ele atua no centro de um cofator que ativa enzimas responsáveis pelo metabolismo de compostos sulfurados e de bases nitrogenadas, e sua falta causa distúrbios metabólicos graves, embora raros. Nas plantas, participa da redução de nitrato e da enzima bacteriana que fixa o nitrogênio do ar em raízes de leguminosas. Solos brasileiros com deficiência do elemento são corrigidos com adubação específica, prática consolidada na cultura da soja.

Riscos e precauções

O molibdênio metálico e a maioria de seus compostos apresentam toxicidade baixa para seres humanos, e o elemento é considerado de risco reduzido nas concentrações usuais. A inalação prolongada de poeiras e fumos em ambiente ocupacional pode irritar as vias respiratórias, e a ingestão excessiva interfere no aproveitamento do cobre pelo organismo, efeito bem documentado em ruminantes que pastam em áreas de teor elevado. Alguns compostos específicos são mais agressivos que o metal. Para qualquer uso técnico, consulte a ficha de informações de segurança e profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

Carl Wilhelm Scheele demonstrou em 1778 que o mineral então chamado de molibdena, confundido durante séculos com grafite e com minérios de chumbo, continha um elemento até então desconhecido. Sem conseguir isolá-lo, passou o problema a Peter Jacob Hjelm, que obteve o metal em 1781. O uso industrial só decolou no início do século XX, quando as exigências da metalurgia de guerra e da produção de aços rápidos revelaram o valor do elemento.

Origem do nome

Do grego molybdos, chumbo. A molibdenita se parece tanto com a galena e com a grafite que recebeu, por confusão, um nome ligado ao chumbo, denominação que sobreviveu à identificação do elemento verdadeiro.

Isótopos relevantes

⁹⁸Mo (cerca de 24%), ⁹⁶Mo, ⁹⁵Mo, ⁹²Mo e ¹⁰⁰Mo em proporções próximas.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • A molibdenita esfolia em lâminas finíssimas, propriedade que a torna um lubrificante eficaz mesmo a seco e sob pressão elevada.
  • A enzima bacteriana que converte o nitrogênio do ar em amônia depende de um cofator que contém molibdênio e ferro.
  • Aços inoxidáveis destinados a ambientes marinhos e químicos levam molibdênio justamente para resistir à corrosão por cloretos.