Metais de transição · 5º período
Zircônio
Resistente à corrosão e quase transparente aos nêutrons, o zircônio reveste o combustível de reatores nucleares e, na forma de óxido, chega a próteses, coroas dentárias e gemas sintéticas.
- Metais de transição
- Grupo 4
- 5º período
- Bloco d
- Sólido
- Natural
Principais propriedades
O zircônio é um metal cinza-prateado, forte e dúctil, cuja principal virtude é a resistência química: uma camada de óxido muito aderente o protege contra ácidos, bases e água em alta temperatura, desempenho comparável ao do titânio. Funde acima de 1850 graus Celsius e mantém propriedades mecânicas úteis em condições severas.
A característica que o tornou insubstituível na indústria nuclear é a baixa capacidade de absorver nêutrons, algo raro entre metais estruturais. Essa vantagem só se realiza se o háfnio, elemento que sempre o acompanha na natureza e que absorve nêutrons avidamente, for removido, tarefa difícil pela enorme semelhança química entre os dois.
Ocorrência na natureza
O zircônio é um elemento comum, com abundância na crosta terrestre de cerca de uma a duas centenas de partes por milhão, superior à do cobre. Ocorre sobretudo como zirconita, um silicato extremamente resistente ao intemperismo, e como badeleíta, um óxido. A zirconita se acumula em areias pesadas litorâneas e aluvionares, inclusive em depósitos brasileiros, onde é lavrada junto de outros minerais industriais.
Processo de obtenção
A maior parte da zirconita é usada diretamente como areia ou moída, sem que o metal seja extraído. Para obter zircônio metálico, o mineral é convertido em cloreto volátil, purificado para separar o háfnio e reduzido com magnésio em atmosfera inerte, resultando em um material esponjoso que é depois fundido. Todas as etapas ocorrem em instalações industriais especializadas, e a separação do háfnio é o que encarece o produto de grau nuclear.
Aplicações
Ligas de zircônio formam os tubos que envolvem o combustível na maioria dos reatores nucleares de potência, aplicação que responde por boa parte do metal consumido no mundo. A indústria química usa o metal em reatores, trocadores de calor e bombas expostos a meios corrosivos. Na forma de óxido, o zircônio se torna cerâmica de alto desempenho: coroas e implantes dentários, cabeças de prótese de quadril, ferramentas de corte, revestimentos térmicos e sensores. A areia de zirconita serve de opacificante em esmaltes cerâmicos, de molde em fundição e de refratário, e a zircônia cúbica é a mais difundida imitação de diamante.
Importância biológica
Não se conhece papel biológico para o zircônio em nenhum organismo, apesar de o elemento estar presente em quantidades ínfimas em tecidos e alimentos. Sua notável inércia química e a boa tolerância dos tecidos aos materiais que ele forma são justamente as razões pelas quais cerâmicas de zircônia se consolidaram em odontologia e ortopedia.
Riscos e precauções
Peças maciças de zircônio e cerâmicas de zircônia são consideradas de baixo risco, e a toxicidade do elemento é reduzida. A preocupação relevante é física: pó fino, aparas e esponja do metal são pirofóricos, ou seja, podem inflamar em contato com o ar, e queimam com chama difícil de extinguir por métodos convencionais. Operações que gerem partículas são restritas a ambientes industriais com controle apropriado. Componentes retirados de reatores exigem manejo sob normas de proteção radiológica. Em uso profissional, siga a ficha de informações de segurança e a orientação de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Martin Heinrich Klaproth analisou em 1789 uma amostra de jargão, variedade de zirconita procedente do Ceilão usada como gema, e concluiu que ela continha uma terra desconhecida, que chamou de zircônia. O metal impuro foi obtido por Jöns Jacob Berzelius em 1824, mas amostras realmente dúcteis só apareceram na década de 1920, com um método de refino por decomposição térmica, o que abriu caminho para o uso industrial décadas depois.
Origem do nome
Deriva do mineral zirconita, cujo nome remonta ao persa zargun, algo como cor de ouro, descrição das tonalidades douradas e avermelhadas das variedades usadas como pedra preciosa desde a Antiguidade.
Isótopos relevantes
⁹⁰Zr (cerca de 51%), ⁹⁴Zr, ⁹²Zr, ⁹¹Zr e ⁹⁶Zr em proporções menores.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- Os minerais mais antigos já datados na Terra são cristais de zirconita da Austrália Ocidental, com cerca de 4,4 bilhões de anos.
- A zirconita retém urânio em sua estrutura e resiste ao tempo geológico, o que a transformou no relógio preferido dos geocronologistas.
- Zircônio e háfnio são tão parecidos quimicamente que o segundo permaneceu escondido no primeiro até 1923.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Zircônio na tabela periódica.