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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
88 Ra [226]

Metais alcalino-terrosos · 7º período

Rádio

Isolado por Marie e Pierre Curie a partir de toneladas de minério, o rádio brilhou em mostradores luminosos antes de as lições sobre sua toxicidade transformarem a proteção radiológica.

Diagrama do átomo de Rádio com 7 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 18, 8, 2 elétrons do núcleo para fora.Ra

Principais propriedades

O rádio é um metal branco-prateado, o mais pesado dos alcalino-terrosos, que escurece rapidamente ao ar formando nitreto. Comporta-se quimicamente como o bário e o cálcio, com o estado de oxidação mais dois em todos os seus compostos, e reage vigorosamente com a água.

Todos os seus isótopos são radioativos. O rádio-226, o mais abundante na natureza, decai por emissão alfa com meia-vida de cerca de mil e seiscentos anos e origina o radônio, gás que se desprende continuamente de qualquer amostra. A energia liberada nesse decaimento é suficiente para manter o material acima da temperatura ambiente e para provocar luminescência em substâncias vizinhas, fenômeno que deu ao elemento sua fama inicial.

Ocorrência na natureza

O rádio está presente em todos os minérios de urânio, como membro intermediário da cadeia de decaimento, sempre em proporção mínima: são necessárias muitas toneladas de minério para reunir um grama do elemento. Sua concentração na crosta terrestre é da ordem de partes por trilhão. Como é continuamente formado e destruído, existe em equilíbrio com o urânio das rochas, e aparece também dissolvido em algumas águas subterrâneas, o que explica a radioatividade natural de certas fontes minerais.

Processo de obtenção

Praticamente não há produção de rádio hoje. Historicamente, o elemento era extraído dos resíduos do processamento de minério de urânio por precipitações e cristalizações fracionadas que separavam o rádio do bário, trabalho extenuante conduzido em poucas instalações no mundo, e a produção total acumulada ao longo do século XX não passou de alguns quilogramas. Com o surgimento de radioisótopos artificiais mais baratos, seguros e adequados a cada finalidade, a demanda desapareceu, e o pouco rádio em circulação vem de estoques antigos, de fontes desativadas e da recuperação em processos de tratamento de resíduos.

Aplicações

As aplicações históricas foram abandonadas. Sais de rádio misturados a sulfeto de zinco formaram as tintas luminosas de mostradores de relógios, painéis de instrumentos e visores militares nas primeiras décadas do século XX, e tubos com o elemento foram usados nos primeiros tratamentos de radioterapia. Ambos deixaram de existir, substituídos por materiais não radioativos e por radioisótopos de melhor controle. Persiste um uso médico moderno e bem delimitado: o dicloreto de rádio-223, administrado em serviços de medicina nuclear, dirige-se ao tecido ósseo e é indicado no tratamento de metástases ósseas do câncer de próstata, aproveitando justamente a afinidade química do elemento pelo osso. Fora disso, o rádio é hoje objeto de pesquisa e de gestão de passivos ambientais.

Importância biológica

O rádio não tem função biológica, mas interage com o organismo de forma perigosa por um motivo químico: comporta-se como o cálcio e, quando ingerido ou inalado, é incorporado à matriz mineral dos ossos, onde permanece por décadas irradiando a medula e o tecido ósseo. Essa afinidade explica os danos observados historicamente e, ao mesmo tempo, é a base racional de seu único uso terapêutico atual, no qual doses cuidadosamente calculadas são dirigidas a lesões ósseas sob controle médico rigoroso.

Riscos e precauções

A exposição interna ao rádio está associada a anemia, lesões ósseas e maior risco de tumores de osso e de seios da face, e as consequências entre trabalhadoras que pintavam mostradores luminosos nas primeiras décadas do século XX tornaram-se um marco da medicina do trabalho, dando origem a limites de exposição, monitoramento e responsabilização de empregadores. Objetos antigos com tinta luminosa, instrumentos de coleções e fontes esquecidas em hospitais e indústrias ainda são encontrados e devem ser comunicados às autoridades competentes, nunca abertos, raspados ou descartados no lixo comum. No Brasil, o controle cabe à Comissão Nacional de Energia Nuclear. Em qualquer situação de suspeita, acione os órgãos responsáveis, consulte a ficha de informações de segurança e procure profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

Marie e Pierre Curie anunciaram o rádio em dezembro de 1898, poucos meses depois do polônio, ao perceberem que uma fração de bário separada de resíduos de uraninita apresentava atividade muito acima do esperado. Comprovar a existência do elemento exigiu processar toneladas de material em condições precárias para obter, anos mais tarde, uma fração de grama de cloreto de rádio puro, trabalho que rendeu a Marie Curie o Prêmio Nobel de Química de 1911. O elemento tornou-se então símbolo da modernidade científica, com enorme repercussão pública, antes que a compreensão de seus efeitos biológicos impusesse cautela.

Origem do nome

Do latim radius, raio, em referência à intensa radiação emitida pelo elemento, muito superior à do urânio conhecido até então.

Isótopos relevantes

Todos os isótopos são radioativos; ²²⁶Ra, com meia-vida de cerca de 1.600 anos, é o mais abundante na natureza.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • Foi o primeiro elemento a dar nome popular a uma tecnologia médica: os tratamentos com radiação passaram a ser chamados de radioterapia em sua época de auge.
  • A produção mundial acumulada de rádio ao longo de toda a história é medida em poucos quilogramas.
  • Todo o radônio presente no ambiente provém do decaimento do rádio existente em solos e rochas.