Metais alcalino-terrosos · 6º período
Bário
Metal alcalino-terroso reativo, o bário é conhecido do público pelo contraste radiológico à base de sulfato e sustenta a perfuração de poços de petróleo na forma do mineral barita.
- Metais alcalino-terrosos
- Grupo 2
- 6º período
- Bloco s
- Sólido
- Natural
Principais propriedades
O bário é um metal branco-prateado, mole e bastante reativo, que se oxida rapidamente ao ar e reage com a água liberando hidrogênio. Por isso nunca é encontrado livre na natureza e é conservado sob óleo ou atmosfera inerte.
Nos seus compostos apresenta invariavelmente estado de oxidação mais dois, e sua característica química mais importante é o contraste entre a solubilidade dos sais: enquanto cloretos e nitratos se dissolvem com facilidade, o sulfato é um dos sais menos solúveis que se conhece, diferença que separa aplicações seguras de compostos perigosos. Aquecidos, os sais de bário conferem à chama uma cor verde nítida.
Ocorrência na natureza
É um elemento razoavelmente comum na crosta terrestre, mais abundante que o cobre ou o chumbo, com teor da ordem de algumas centenas de partes por milhão. Os minerais de interesse econômico são a barita, um sulfato notavelmente denso, e a witherita, um carbonato bem mais raro. O Brasil possui ocorrências de barita exploradas em alguns estados, com destaque para a Bahia.
Processo de obtenção
A maior parte da barita é usada diretamente após moagem e classificação, sem que o elemento seja separado. Para obter compostos químicos, o sulfato é convertido em sulfeto por redução em fornos e, a partir dele, nos demais sais. O metal, de uso muito restrito, é produzido em instalações industriais por redução de seu óxido em alto vácuo.
Aplicações
O maior consumo mundial de bário está na barita moída, empregada como agente adensante nos fluidos de perfuração que controlam a pressão em poços de petróleo e gás. O sulfato de bário, por ser insolúvel e opaco aos raios X, é o contraste ingerido em exames radiológicos do trato digestivo, e serve também de pigmento branco e carga em tintas e plásticos. O titanato de bário é um dos materiais cerâmicos mais importantes da eletrônica, presente em capacitores e sensores piezelétricos, e compostos do elemento produzem o verde dos fogos de artifício e integram cerâmicas supercondutoras de alta temperatura.
Importância biológica
O bário não desempenha função biológica conhecida e não é um nutriente. Sua semelhança com o cálcio e a capacidade de bloquear canais iônicos das células explicam a toxicidade dos compostos solúveis, ao passo que o sulfato atravessa o sistema digestivo sem ser absorvido, o que permite seu uso seguro como contraste sob supervisão médica.
Riscos e precauções
Sais solúveis de bário são fortemente tóxicos e afetam o coração, os músculos e o sistema nervoso, com risco de arritmias graves. A distinção entre o sulfato insolúvel, usado em medicina, e compostos solúveis como o carbonato é essencial: confusões entre eles já provocaram intoxicações coletivas. O metal reage com a água e pode inflamar-se em forma de pó. Produtos com bário são de uso industrial ou hospitalar, sempre conforme a ficha de informações de segurança e a orientação de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Carl Wilhelm Scheele reconheceu em 1774 que a barita continha uma terra até então não descrita, distinta da cal. A separação do metal só foi possível décadas depois, quando Humphry Davy aplicou a eletrólise a sais fundidos em 1808 e isolou o bário, no mesmo período em que obteve outros metais alcalino-terrosos pelo mesmo caminho.
Origem do nome
Do grego barys, pesado, em referência à densidade incomum do mineral barita, que chamou a atenção dos mineralogistas muito antes de o elemento ser identificado.
Isótopos relevantes
¹³⁸Ba (cerca de 72%), ¹³⁷Ba, ¹³⁶Ba, ¹³⁵Ba e ¹³⁴Ba em proporções menores.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- A barita é tão densa para um mineral não metálico que recebeu esse nome dos gregos muito antes de o bário ser conhecido.
- O contraste tomado em exames radiológicos do estômago é seguro justamente porque o sulfato de bário não se dissolve nem é absorvido.
- O verde intenso de certos fogos de artifício vem da emissão característica de compostos de bário na chama.
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Elementos relacionados
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