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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
38 Sr 87,62

Metais alcalino-terrosos · 5º período

Estrôncio

Responsável pelo vermelho intenso dos fogos de artifício, o estrôncio também aparece em ímãs cerâmicos, pigmentos fosforescentes e em estudos que rastreiam a origem geográfica de alimentos e ossos.

Diagrama do átomo de Estrôncio com 5 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 8, 2 elétrons do núcleo para fora.Sr

Principais propriedades

O estrôncio é um metal alcalino-terroso prateado e relativamente mole, que escurece rapidamente ao ar por formação de óxido. Reage com a água, ainda que de modo menos violento que os alcalinos, e apresenta invariavelmente o estado de oxidação mais dois em seus compostos.

A propriedade mais reconhecível do elemento é a cor que seus sais imprimem à chama, um vermelho carmim intenso e inconfundível, base tanto de ensaios de identificação quanto da pirotecnia. Quimicamente, o estrôncio se comporta de maneira muito próxima ao cálcio, semelhança que explica seu destino no ambiente e nos organismos.

Ocorrência na natureza

Com abundância na crosta terrestre da ordem de algumas centenas de partes por milhão, o estrôncio é mais comum do que a percepção corrente sugere. Concentra-se em dois minerais de interesse econômico, a celestita, um sulfato, e a estroncianita, um carbonato, formados em ambientes sedimentares e evaporíticos. Também está presente na água do mar e substitui parcialmente o cálcio em calcários e corais.

Processo de obtenção

A indústria trabalha essencialmente com os compostos, não com o metal. A celestita é convertida em carbonato de estrôncio, insumo do qual derivam os demais sais comerciais, em processos térmicos e químicos conduzidos em plantas dedicadas. O metal isolado, de uso restrito, é produzido por redução do óxido em fornos a vácuo, em instalações especializadas.

Aplicações

Compostos de estrôncio são o padrão para produzir vermelho em fogos de artifício, sinalizadores marítimos e artefatos de sinalização de emergência. Ferritas de estrôncio formam os ímãs cerâmicos baratos e resistentes de alto-falantes e pequenos motores. Aluminatos de estrôncio são os pigmentos fosforescentes de longa duração usados em sinalização de rotas de fuga e em mostradores luminosos. O elemento também aparece em cerâmicas, em vidros técnicos e em cremes dentais para dentes sensíveis, e teve papel importante nos vidros frontais dos antigos televisores de tubo, por barrar radiação.

Importância biológica

O estrôncio não é um nutriente essencial, mas o organismo o trata como um análogo do cálcio: parte do que é ingerido acaba incorporada aos ossos e dentes. Em doses controladas, essa afinidade já foi explorada em medicamentos para osteoporose, hoje de uso restrito. A mesma semelhança tem consequência inversa no caso de isótopos radioativos do elemento gerados em fissão nuclear, que se fixam no tecido ósseo e por isso são monitorados em programas de proteção radiológica.

Riscos e precauções

O estrôncio estável tem toxicidade baixa e não é considerado um contaminante ambiental preocupante. O metal, porém, é reativo: em pó pode inflamar espontaneamente e reage com a água liberando hidrogênio, exigindo armazenamento sob óleo ou atmosfera inerte. Compostos usados em pirotecnia envolvem riscos ligados às misturas em que são empregados, e artefatos desse tipo devem ser manuseados apenas por profissionais licenciados. Para qualquer uso técnico, consulte a ficha de informações de segurança e profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

Em 1790, Adair Crawford e William Cruickshank examinaram um mineral proveniente de uma mina próxima ao povoado escocês de Strontian e concluíram que ele continha uma terra distinta das já conhecidas, diferente sobretudo dos compostos de bário. A confirmação veio com análises posteriores, e o metal só foi obtido em 1808 por Humphry Davy, que recorreu à eletrólise, mesma abordagem com que isolou outros alcalino-terrosos.

Origem do nome

Vem de Strontian, vilarejo das Terras Altas da Escócia onde foi encontrado o mineral que revelou o elemento. É um dos poucos casos em que uma localidade de pequeno porte deu nome a um elemento químico.

Isótopos relevantes

⁸⁸Sr (cerca de 82,6%), ⁸⁶Sr, ⁸⁷Sr e ⁸⁴Sr em proporções menores.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • A razão entre isótopos de estrôncio varia de acordo com a geologia local, o que permite investigar a procedência de vinhos, queijos e até de restos humanos arqueológicos.
  • Os ímãs de geladeira e de alto-falantes comuns são em geral ferritas de estrôncio, e não ligas metálicas.
  • A cor vermelha das chamas de estrôncio é tão característica que serve de ensaio rápido de identificação em análise química.