Actinídeos · 7º período
Protactínio
Metal raro e intensamente radioativo encontrado em minérios de urânio, o protactínio recebeu esse nome por gerar actínio ao decair e hoje serve para datar sedimentos marinhos.
- Actinídeos
- 7º período
- Bloco f
- Sólido
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Principais propriedades
O protactínio é um metal prateado e brilhante, denso e maleável, que escurece lentamente ao contato com o ar. Em seus compostos predomina o estado de oxidação mais alto, embora também forme espécies com um elétron a menos, e a química em solução é notoriamente difícil: o elemento hidrolisa com facilidade e adere às paredes dos recipientes, o que complicou por décadas qualquer trabalho analítico com ele.
Abaixo de cerca de um kelvin e meio, o metal se torna supercondutor. Ocupa uma posição de transição na série dos actinídeos, entre o comportamento do tório, dominado por um único estado de oxidação, e a variedade química do urânio, e por isso é um caso de estudo valioso para entender como os elétrons mais internos participam das ligações nesses elementos.
Ocorrência na natureza
É um dos elementos naturais mais escassos da crosta terrestre. Não forma minérios próprios: aparece disperso em minerais de urânio, como a uraninita, porque um dos isótopos do urânio produz protactínio em sua cadeia de decaimento. A proporção é minúscula, da ordem de algumas partes por milhão em relação ao urânio presente na rocha.
Processo de obtenção
Todo o protactínio disponível vem da separação química dos resíduos gerados no beneficiamento de minério de urânio, tarefa executada em instalações licenciadas e com blindagem apropriada. O episódio mais conhecido ocorreu no Reino Unido, no início dos anos 1960, quando um trabalho de recuperação a partir de dezenas de toneladas de resíduos rendeu pouco mais de cem gramas do elemento, quantidade que abasteceu a pesquisa mundial por muito tempo.
Aplicações
Não existe aplicação industrial ou comercial do protactínio, e é improvável que venha a existir, dada sua raridade e sua radioatividade. O uso científico consolidado está na datação geológica: a razão entre o protactínio e um isótopo do tório em carbonatos marinhos e corais permite estimar idades em uma faixa de dezenas de milhares de anos, informação usada em estudos de circulação oceânica e de clima do passado.
Riscos e precauções
O protactínio é altamente radioativo e também quimicamente tóxico, com risco concentrado na inalação ou na ingestão de partículas, que se depositam preferencialmente nos ossos e no fígado. Seu manuseio é restrito a laboratórios autorizados, com contenção, monitoramento de contaminação e controle de dose dos trabalhadores. Qualquer atividade envolvendo o elemento depende de licenciamento, da ficha de informações de segurança, das normas dos órgãos reguladores de energia nuclear e da supervisão de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Em 1913, Kasimir Fajans e Oswald Göhring identificaram um isótopo de vida muito curta do elemento 91 e o chamaram de brévio, em alusão à sua fugacidade. Cinco anos depois, Otto Hahn e Lise Meitner isolaram e caracterizaram o isótopo de vida longa, feito alcançado de forma independente por Frederick Soddy e John Cranston na Grã-Bretanha. Como o isótopo estudado por Hahn e Meitner permitia trabalhar com o elemento de fato, prevaleceu o nome que eles propuseram. Mendeleev já havia previsto a existência de um elemento entre o tório e o urânio décadas antes.
Origem do nome
Do grego protos, primeiro, unido a actínio: o nome registra que o elemento antecede o actínio na cadeia de decaimento radioativo. A forma abreviada substituiu a denominação original protoactínio, considerada longa demais.
Isótopos relevantes
Todos os isótopos são radioativos; ²³¹Pa, com meia-vida de cerca de 33 mil anos, é o mais abundante na natureza.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- É um dos elementos naturais mais caros do mundo, não por demanda, mas pela dificuldade extrema de separação.
- Mendeleev previu a existência de um elemento nessa posição da tabela periódica antes que houvesse qualquer indício experimental dele.
- O nome guarda uma relação de parentesco: ao decair, o protactínio se transforma justamente no actínio que dá nome à série dos actinídeos.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Protactínio na tabela periódica.