Actinídeos · 7º período
Neptúnio
Obtido em 1940 a partir do bombardeio do urânio, o neptúnio inaugurou a série dos transurânicos e mostrou que a tabela periódica não terminava onde a natureza parecia interrompê-la.
- Actinídeos
- 7º período
- Bloco f
- Sólido
- Traços naturais
Principais propriedades
O neptúnio é um metal prateado e quimicamente reativo, com três formas cristalinas conhecidas. É o mais denso de todos os actinídeos, superando o urânio e o plutônio, característica pouco divulgada mas bem estabelecida em medições feitas com amostras pequenas em laboratórios especializados.
Sua química em solução é particularmente variada: o elemento pode existir simultaneamente em vários estados de oxidação em um mesmo meio, situação incomum. O estado intermediário, na forma do íon neptunila, é estável em água, ao contrário do que ocorre com os vizinhos urânio e plutônio, e essa peculiaridade torna o neptúnio um dos actinídeos mais estudados em química de separação.
Ocorrência na natureza
O neptúnio é essencialmente artificial, mas não está totalmente ausente da natureza: traços minúsculos se formam continuamente em minérios de urânio, quando núcleos de urânio capturam nêutrons produzidos por fissão espontânea ou por raios cósmicos. Como o isótopo mais estável tem meia-vida de cerca de dois milhões de anos, muito menor que a idade da Terra, qualquer neptúnio presente na formação do planeta já desapareceu havia muito tempo.
Processo de obtenção
O elemento se forma em reatores nucleares como subproduto da irradiação do combustível de urânio, sendo depois separado por processos químicos aplicados ao material irradiado, em instalações licenciadas e blindadas. A quantidade disponível no mundo é pequena e integralmente destinada a pesquisa e a usos técnicos autorizados, sob controle regulatório permanente.
Aplicações
O neptúnio não tem uso corrente fora do ambiente científico e técnico. Sua utilidade prática mais citada é servir de material de partida para a produção de um isótopo de plutônio empregado em fontes de energia de sondas espaciais. Também é usado em detectores de nêutrons de alta energia, aproveitando a resposta característica de seus núcleos, e é objeto de estudos sobre o comportamento de rejeitos radioativos de vida longa em depósitos geológicos.
Riscos e precauções
Trata-se de um material radioativo de vida longa, cujo risco principal é a incorporação interna por inalação ou ingestão de partículas, com deposição em ossos e fígado. Não existe uso doméstico ou comercial do elemento, e todo o seu ciclo, da produção ao descarte, ocorre em instalações autorizadas com monitoramento de dose e contenção de contaminação. Informações sobre manuseio devem ser buscadas na ficha de informações de segurança, junto aos órgãos reguladores de energia nuclear e com profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Em 1940, Edwin McMillan e Philip Abelson, trabalhando na Califórnia, identificaram um produto radioativo formado quando o urânio absorvia nêutrons e que não correspondia a nenhum elemento conhecido. Era o número 93, o primeiro elemento transurânico obtido de forma deliberada. A descoberta foi decisiva para que Glenn Seaborg propusesse, pouco depois, a reorganização da tabela periódica com uma segunda série de elementos de transição interna, hoje chamada de série dos actinídeos, alterando a estrutura da tabela como ela é ensinada até hoje.
Origem do nome
Do planeta Netuno, que na sequência do sistema solar vem logo depois de Urano, assim como o elemento 93 vem logo depois do urânio na tabela periódica.
Isótopos relevantes
Todos os isótopos são radioativos; ²³⁷Np, com meia-vida de cerca de dois milhões de anos, é o mais estável.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- É o actinídeo de maior densidade conhecida, à frente do urânio e do plutônio.
- Sua descoberta motivou a reformulação da tabela periódica proposta por Glenn Seaborg, que criou a linha dos actinídeos.
- Apesar de classificado como praticamente artificial, existe em quantidades ínfimas em minérios de urânio, formado por captura de nêutrons.
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Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Neptúnio na tabela periódica.