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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
95 Am [243]

Actinídeos · 7º período

Amerício

Único elemento sintético presente na rotina doméstica, o amerício está dentro dos detectores de fumaça por ionização e em medidores industriais de espessura, densidade e umidade.

Diagrama do átomo de Amerício com 7 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 25, 8, 2 elétrons do núcleo para fora.Am

Principais propriedades

O amerício é um metal branco-prateado, mais macio e menos denso que seus vizinhos na série, que escurece lentamente em ar seco. O estado de oxidação três domina sua química, comportamento que o aproxima dos lantanídeos, mas o elemento também forma espécies mais oxidadas, algumas de cores intensas em solução.

O isótopo mais usado emite partículas alfa acompanhadas de radiação gama de baixa energia, combinação que o tornou útil em instrumentos de medida, já que essa radiação atravessa materiais finos de forma previsível. Sua meia-vida, de pouco mais de quatro séculos, é longa o bastante para garantir emissão praticamente constante ao longo da vida útil de um aparelho.

Ocorrência na natureza

Não existe amerício natural em quantidade significativa. Todos os seus isótopos têm meias-vidas muito curtas na escala geológica, de modo que qualquer amerício presente na formação da Terra desapareceu completamente. O que existe no ambiente é vestígio disperso pelos ensaios nucleares atmosféricos do século XX, em concentrações extremamente baixas.

Processo de obtenção

O amerício se forma em reatores nucleares pela captura sucessiva de nêutrons em núcleos de plutônio, sendo depois separado do material irradiado por processos químicos em instalações licenciadas. É um dos poucos elementos transurânicos produzidos de forma rotineira e em quantidade suficiente para abastecer um mercado industrial, ainda que pequeno e estritamente regulado.

Aplicações

O uso mais difundido está nos detectores de fumaça por ionização, nos quais uma fonte selada minúscula ioniza o ar entre dois eletrodos; a fumaça altera essa corrente e dispara o alarme. Na indústria, o elemento aparece em medidores de espessura de chapas e filmes, em densímetros e medidores de umidade de solo, em equipamentos de perfilagem de poços e em fontes para análise por fluorescência de raios X. Agências espaciais estudam o amerício como alternativa ao plutônio em geradores de energia para missões de longa duração.

Riscos e precauções

Nas fontes seladas de detectores de fumaça, a quantidade do elemento é ínfima e a radiação não atravessa o invólucro, de modo que o aparelho é seguro em uso normal; ele não deve, porém, ser aberto, desmontado ou incinerado, e o descarte segue as regras de resíduos com fontes radioativas. Fora desse contexto, o amerício é um emissor alfa perigoso se inalado ou ingerido, com tendência a se fixar no esqueleto. Em dúvida sobre transporte, armazenamento ou descarte, consulte a ficha de informações de segurança, os órgãos reguladores de energia nuclear e profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

O elemento foi identificado no fim de 1944 por Glenn Seaborg, Ralph James, Leon Morgan e Albert Ghiorso, em Chicago, no âmbito de um programa de pesquisa mantido em sigilo. A separação química do amerício em relação ao cúrio, descoberto poucos meses antes, foi tão trabalhosa que a dupla recebeu apelidos jocosos entre os pesquisadores. O anúncio público ocorreu em circunstância inusitada: em novembro de 1945, Seaborg revelou a existência dos dois elementos durante um programa de rádio infantil, antes da apresentação formal em congresso científico.

Origem do nome

Referência ao continente americano, escolhida por analogia com o európio: como o elemento 95 fica logo abaixo do európio na tabela periódica, a equipe seguiu a lógica de nomear o novo elemento a partir de um continente.

Isótopos relevantes

Todos os isótopos são radioativos; ²⁴¹Am e ²⁴³Am são os mais estudados.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • É o único elemento produzido artificialmente que costuma estar presente em residências, dentro de detectores de fumaça.
  • Sua existência foi revelada ao público em um programa de rádio para crianças, quando um ouvinte perguntou se havia elementos novos.
  • Durante a pesquisa, amerício e cúrio ganharam apelidos irônicos que aludiam à dificuldade de separá-los quimicamente.