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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
100 Fm [257]

Actinídeos · 7º período

Férmio

Último elemento que ainda pode ser formado em quantidade apreciável pela captura de nêutrons, o férmio marca a fronteira a partir da qual novos elementos passaram a exigir colisões de núcleos.

Diagrama do átomo de Férmio com 7 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 30, 8, 2 elétrons do núcleo para fora.Fm

Principais propriedades

Do férmio nunca se obteve uma amostra visível: tudo o que se conhece vem de experimentos com quantidades da ordem de milhões de átomos, número que parece grande mas corresponde a uma massa imperceptível. A classificação como metal sólido é uma previsão baseada no comportamento dos actinídeos vizinhos, e a temperatura de fusão registrada nas tabelas é uma estimativa, não uma medição.

A química conhecida foi estudada em solução, com técnicas capazes de rastrear pouquíssimos átomos, e mostra o estado de oxidação três como dominante, com um estado menos oxidado acessível. O isótopo mais estável tem meia-vida de cerca de cem dias, e é justamente a queda abrupta da estabilidade logo acima do férmio que impede a formação de elementos mais pesados por acúmulo sucessivo de nêutrons.

Ocorrência na natureza

Não existe férmio na natureza. Nem mesmo os processos astrofísicos que produzem elementos pesados deixam resíduo detectável dele na Terra, porque suas meias-vidas são curtas demais para sobreviver ao tempo transcorrido desde a formação do planeta. Todo o férmio já existente foi produzido em instalações científicas.

Processo de obtenção

O elemento é gerado pela irradiação de alvos de actinídeos com nêutrons em reatores de pesquisa de fluxo muito alto, processo em que núcleos vão absorvendo nêutrons e se transformando em elementos progressivamente mais pesados. Também pode ser produzido em aceleradores, por colisão entre núcleos. Em qualquer caso, o produto é separado quimicamente em células blindadas e detectado pelo padrão de radiação emitida.

Aplicações

O férmio não tem nenhuma aplicação, nem se espera que venha a ter. Sua relevância é exclusivamente científica, e concentra-se em um ponto conceitual importante: ele delimita a chamada barreira do férmio, o limite além do qual a captura sucessiva de nêutrons deixa de funcionar como caminho para criar novos elementos, obrigando os laboratórios a recorrer à fusão de núcleos em aceleradores.

Riscos e precauções

O férmio existe apenas em quantidades invisíveis dentro de laboratórios especializados, sem qualquer possibilidade de exposição fora desse contexto. Como todo emissor alfa de vida curta, seria perigoso se incorporado ao organismo, e por isso o trabalho ocorre sob contenção, manipulação remota e monitoramento de dose. Informações sobre proteção radiológica devem ser buscadas na ficha de informações de segurança, junto aos órgãos reguladores de energia nuclear e a profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

O elemento 100 foi identificado em 1952 pela equipe de Albert Ghiorso, no mesmo material analisado após o ensaio nuclear que revelou o einstênio. O resultado permaneceu sob sigilo e só foi anunciado publicamente em 1955. Enrico Fermi, homenageado no nome, havia morrido em 1954, sem saber que um elemento levaria seu nome. A descoberta encerrou a fase em que reatores bastavam para avançar na tabela periódica.

Origem do nome

Homenagem a Enrico Fermi, físico italiano radicado nos Estados Unidos, responsável por trabalhos decisivos sobre reações nucleares induzidas por nêutrons e pela construção do primeiro reator nuclear em funcionamento controlado.

Isótopos relevantes

Todos os isótopos são radioativos; ²⁵⁷Fm é o mais estável, com meia-vida de cerca de cem dias.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • É o elemento de número atômico mais alto que ainda pode ser produzido em reatores por captura de nêutrons.
  • Nunca foi obtido em quantidade suficiente para ser visto, pesado ou observado como metal.
  • Sua descoberta e a do einstênio foram anunciadas juntas, três anos depois de terem ocorrido.