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Legiano Enciclopédia dos Elementos Químicos
105 Db [268]

Metais de transição · 7º período

Dúbnio

O dúbnio leva o nome da cidade russa que abriga um dos institutos rivais na corrida pelos elementos pesados, solução de compromisso adotada para encerrar décadas de disputa entre laboratórios.

Diagrama do átomo de Dúbnio com 7 camadas eletrônicas, contendo 2, 8, 18, 32, 32, 11, 2 elétrons do núcleo para fora.Db

Principais propriedades

Não há qualquer propriedade física medida do dúbnio. Os valores de densidade, fusão e ebulição estão indeterminados, e as previsões teóricas sugerem um metal de transição sólido, denso e refratário, sem que exista material para verificar. A quantidade total do elemento já produzida no mundo, somada, jamais chegou a formar algo visível.

Experimentos químicos com pouquíssimos átomos indicaram que o dúbnio se comporta como membro do mesmo grupo do nióbio e do tântalo, com preferência pelo estado de oxidação mais alto. Contudo, alguns resultados mostraram desvios do esperado, com o elemento apresentando afinidades químicas ora mais próximas do tântalo, ora do protactínio, indício de que a extrapolação simples das tendências periódicas não basta nessa região da tabela.

Ocorrência na natureza

O dúbnio não ocorre naturalmente. Seus isótopos decaem em segundos ou menos, e nenhum processo terrestre é capaz de formá-lo. Ele só existe durante o intervalo brevíssimo entre a colisão que o cria em um acelerador e o decaimento que o transforma em outro elemento.

Processo de obtenção

Como todos os elementos superpesados, é produzido por fusão de núcleos em aceleradores: um feixe intenso de íons atinge um alvo de actinídeo e, muito raramente, dois núcleos se unem. O produto é separado do feixe por campos elétricos e magnéticos e implantado em um detector, que registra o átomo e acompanha sua desintegração. Um experimento pode durar semanas para render alguns poucos eventos válidos.

Aplicações

Não existe aplicação prática para o dúbnio, nem possibilidade de que exista. Todo o valor do elemento está na pesquisa fundamental, especialmente em verificar até que ponto as colunas da tabela periódica continuam a prever comportamento químico quando os elétrons se movem a velocidades próximas às da luz e a estrutura eletrônica se distorce.

Riscos e precauções

Não há exposição possível ao dúbnio fora de instalações de pesquisa, uma vez que não existe material do elemento em nenhum lugar do mundo. As preocupações radiológicas concernem aos alvos, aos produtos de decaimento e à operação dos aceleradores, atividades conduzidas sob licenciamento, blindagem e monitoramento permanente de dose. Qualquer trabalho nesse ambiente segue a ficha de informações de segurança dos materiais envolvidos, as normas dos órgãos reguladores de energia nuclear e a orientação de profissionais habilitados.

Orientação de segurança

Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.

História da descoberta

O elemento 105 foi reivindicado pelo instituto de Dubna em 1967 e por um grupo da Califórnia em 1970. A equipe soviética propôs homenagear Niels Bohr, e a norte-americana, Otto Hahn, e por décadas as duas denominações circularam em livros diferentes conforme o país. Em 1997, ao encerrar a disputa, a comissão internacional adotou uma solução de equilíbrio: o crédito da descoberta ficou dividido, o nome ligado a Hahn foi descartado, o nome de Bohr foi transferido para o elemento 107 e o número 105 passou a homenagear a própria cidade russa onde se realizou boa parte do trabalho.

Origem do nome

Referência a Dubna, cidade às margens do rio Volga, ao norte de Moscou, sede do instituto internacional de pesquisas nucleares responsável pela síntese de vários elementos pesados ao longo de mais de meio século.

Isótopos relevantes

Todos os isótopos são radioativos e de vida curta; ²⁶⁸Db é o mais longevo conhecido.

Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.

Curiosidades

  • Durante décadas, o mesmo elemento foi chamado por dois nomes diferentes conforme o lado do mundo em que o livro fosse publicado.
  • O nome atual foi um gesto de reconhecimento a um laboratório inteiro, e não a um cientista individual.
  • Alguns experimentos químicos revelaram comportamento inesperado, com o elemento se afastando do padrão previsto para seu grupo.