Lantanídeos · 6º período
Promécio
Único lantanídeo sem qualquer isótopo estável, o promécio praticamente não existe na natureza: é produzido em reatores e serviu de fonte de energia em baterias de longa duração e em tintas luminescentes.
- Lantanídeos
- 6º período
- Bloco f
- Sólido
- Traços naturais
Principais propriedades
O promécio é um metal prateado cujas propriedades foram determinadas em amostras minúsculas, já que todos os seus isótopos são radioativos e decaem em prazos curtos na escala geológica. As poucas medidas disponíveis mostram um comportamento químico coerente com a posição que ocupa entre o neodímio e o samário, com o estado de oxidação mais três dominando seus compostos.
Seus sais apresentam coloração rosada ou lilás e emitem uma luz azulada pálida no escuro, resultado da excitação do próprio material pela radiação que ele emite. A energia liberada é suficiente para aquecer perceptivelmente quantidades pequenas do elemento.
Ocorrência na natureza
O promécio é essencialmente ausente da crosta terrestre. Traços diminutos se formam continuamente em minérios de urânio pela fissão espontânea desse elemento, mas estima-se que a quantidade existente em todo o planeta seja da ordem de algumas centenas de gramas em qualquer instante. Em 1965, linhas atribuídas ao promécio foram identificadas no espectro de uma estrela, indicando que o elemento é produzido em processos nucleares estelares.
Processo de obtenção
Praticamente todo o promécio disponível é recuperado dos produtos de fissão gerados em reatores nucleares, separado dos demais lantanídeos por técnicas cromatográficas em instalações licenciadas para o manuseio de material radioativo. A quantidade produzida no mundo é pequena e destina-se sobretudo à pesquisa.
Aplicações
A radiação beta emitida pelo promécio foi aproveitada em fontes de energia compactas e de longa duração, que alimentaram equipamentos em locais de difícil acesso e, em uma fase inicial da tecnologia, marca-passos cardíacos. O elemento também substituiu o rádio em tintas luminescentes de mostradores e sinalizações, por oferecer risco radiológico menor, e é utilizado em medidores industriais que determinam a espessura de materiais pela atenuação da radiação. Todas essas aplicações ocorrem em fontes seladas e sob controle regulatório.
Riscos e precauções
Por ser inteiramente radioativo, o promécio representa risco de exposição interna e externa e é manipulado somente em instalações com blindagem, monitoramento e licenciamento específicos. Fontes seladas contendo o elemento estão sujeitas a controle de inventário e a regras de descarte definidas por autoridades nucleares. Nenhum uso fora desse enquadramento é admissível, e qualquer questão prática deve ser tratada com a ficha de informações de segurança e com profissionais habilitados em proteção radiológica.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
A lacuna correspondente ao número atômico 61 permaneceu vazia na tabela periódica por décadas e gerou vários anúncios de descoberta que não se sustentaram. A identificação definitiva veio em 1945, quando Jacob Marinsky, Lawrence Glendenin e Charles Coryell separaram o elemento a partir de produtos de fissão do urânio, em Oak Ridge, nos Estados Unidos; os resultados só puderam ser divulgados depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
Origem do nome
Referência a Prometeu, o titã que na mitologia grega roubou o fogo dos deuses e o entregou aos humanos, sugestão feita por Grace Mary Coryell, esposa de um dos descobridores, em alusão tanto ao domínio da energia nuclear quanto aos riscos que ele traz.
Isótopos relevantes
Todos os isótopos são radioativos; ¹⁴⁵Pm apresenta a meia-vida mais longa da série.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- É o único lantanídeo que não possui nenhum isótopo estável, o que o torna praticamente ausente da natureza.
- Sais de promécio emitem uma luminescência azulada pálida provocada pela própria radiação do elemento.
- A identificação de promécio no espectro de uma estrela mostrou que o elemento continua sendo produzido no universo.
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