Lantanídeos · 6º período
Gadolínio
Com o maior número de elétrons desemparelhados entre todos os elementos, o gadolínio sustenta os agentes de contraste da ressonância magnética e as pesquisas em refrigeração por efeito magnético.
- Lantanídeos
- 6º período
- Bloco f
- Sólido
- Natural
Principais propriedades
O gadolínio é um metal branco-prateado, dúctil, com uma configuração eletrônica excepcional: sete elétrons desemparelhados na camada interna, o maior número entre os elementos em seu estado fundamental. Essa estrutura produz o momento magnético mais alto da tabela periódica em condições ordinárias e explica praticamente todas as suas aplicações.
É o único elemento além dos metais do grupo do ferro a apresentar ferromagnetismo perto da temperatura ambiente: abaixo de aproximadamente vinte graus Celsius o metal se torna ferromagnético e acima disso deixa de sê-lo. Essa transição em faixa acessível o transformou em material de referência para o estudo do efeito magnetocalórico, no qual o material aquece ao ser magnetizado e esfria ao ser desmagnetizado.
Ocorrência na natureza
É um lantanídeo de abundância intermediária, com teor crustal de poucas partes por milhão, presente na bastnasita, na monazita e na gadolinita, mineral que lhe deu nome. Como ocorre em proporção relativamente estável entre os lantanídeos pesados, sua oferta acompanha de perto a produção geral de terras raras.
Processo de obtenção
A separação do gadolínio segue a rota usual dos lantanídeos, por extração por solventes e troca iônica a partir de concentrados minerais, com exigência de pureza elevada quando o destino é a fabricação de compostos de uso médico. A conversão em metal ocorre por redução em plantas metalúrgicas especializadas, e a maior parte do consumo se dá na forma de óxido e de compostos de coordenação.
Aplicações
A aplicação mais conhecida está na medicina diagnóstica: complexos de gadolínio, nos quais o íon é firmemente aprisionado por moléculas orgânicas, alteram o comportamento magnético da água nos tecidos e realçam o contraste das imagens de ressonância magnética, tornando visíveis tumores, inflamações e alterações vasculares. Um dos isótopos do elemento absorve nêutrons melhor que qualquer outro nuclídeo estável conhecido, o que o leva a barras de controle e a sistemas de segurança de reatores. O oxissulfeto de gadolínio converte raios X em luz visível em detectores de tomografia e radiografia digital, e ligas do metal figuram entre os materiais estudados para refrigeradores magnéticos sem gases de efeito estufa.
Importância biológica
O gadolínio não tem função biológica e o íon livre é tóxico, sobretudo porque seu raio é próximo ao do cálcio e ele bloqueia canais iônicos das membranas celulares. Nos agentes de contraste, o metal circula preso a moléculas que impedem sua liberação e é eliminado pelos rins, arranjo que viabiliza o uso clínico com segurança na grande maioria dos pacientes.
Riscos e precauções
A administração de contrastes com gadolínio a pessoas com insuficiência renal grave já foi associada à fibrose sistêmica nefrogênica, doença rara e incapacitante, o que levou à substituição de formulações menos estáveis e à triagem prévia da função renal. Estudos identificaram ainda retenção residual do elemento em tecidos após exames repetidos, tema sob acompanhamento das agências reguladoras. O exame contrastado é seguro quando indicado e conduzido por equipe qualificada, com avaliação individual de risco; em ambiente industrial, aplicam-se a ficha de informações de segurança e a supervisão de profissionais habilitados.
Orientação de segurança
Esta seção tem caráter informativo e preventivo. A enciclopédia não publica procedimentos, quantidades ou instruções de manipulação de substâncias químicas. Para uso profissional, consulte a ficha de informações de segurança de produtos químicos do material específico e a orientação de químicos, engenheiros ou profissionais de saúde habilitados. Em caso de exposição ou ingestão acidental, procure imediatamente um serviço de saúde.
História da descoberta
Jean Charles Galissard de Marignac detectou o gadolínio em 1880, em Genebra, ao identificar linhas espectrais desconhecidas em frações separadas da samarskita e do didímio. Amostras mais puras foram preparadas alguns anos depois por Paul-Émile Lecoq de Boisbaudran, e o nome proposto por Marignac acabou consagrado.
Origem do nome
Deriva do mineral gadolinita, batizado em homenagem a Johan Gadolin, químico finlandês que analisou pela primeira vez a rocha de Ytterby, ponto de partida da descoberta de boa parte das terras raras.
Isótopos relevantes
¹⁵⁸Gd (cerca de 25%), ¹⁶⁰Gd, ¹⁵⁶Gd, ¹⁵⁷Gd e ¹⁵⁵Gd em proporções próximas.
Isótopos são átomos do mesmo elemento com quantidades diferentes de nêutrons. Eles compartilham o comportamento químico, mas diferem em massa e em estabilidade nuclear. Veja a definição no glossário.
Curiosidades
- É o único elemento fora do grupo do ferro que se comporta como ímã permanente em temperaturas próximas às do ambiente.
- Um isótopo natural de gadolínio captura nêutrons com mais eficiência que qualquer outro núcleo estável conhecido.
- O gadolínio é o único lantanídeo cujo nome homenageia um químico, e não um lugar, uma cor ou uma figura mitológica.
Continue a consulta
Elementos relacionados
Vizinhos de coluna, de linha e de família química: elementos cujas propriedades ajudam a situar o Gadolínio na tabela periódica.